Ingressos para exposição de Bowie no MIS-SP começam a ser vendidos em dezembro

A exposição “David Bowie is”, que chega ao MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) em 31 de janeiro de 2014, terá ingressos vendidos antecipadamente pela internet a partir de dezembro.

O valor da entrada e a data de início das vendas ainda não foram definidas.

A intenção é evitar longas filas, já que a expectativa é alcançar os 50 mil visitantes, segundo André Sturm, diretor-executivo do MIS. Em Londres, mais de 67 mil ingressos haviam sido vendidos antes da abertura no Victoria and Albert Museum, em março. Até 11 de agosto, quando a exposição migrou para a Art Gallery of Ontario, em Toronto, por volta de 300 mil pessoas haviam passado por ela.

Para Sturm, os números aqui provavelmente estarão abaixo disso, porque a mostra ficará menos tempo no Brasil (três meses, contra cinco no Victoria and Albert Musem) e também por questões de espaço. “A área deles era maior que a nossa. Aqui, a exposição terá uma capacidade de 250 a 280 pessoas ao mesmo tempo, no máximo”, disse Sturm. Haverá um tempo sugerido de uma hora para que cada visitante fique no interior da exposição, mas que não será compulsório.

Exceto um ou outro artigo de coleções privadas, a mostra virá completa para São Paulo. Segundo Geoff Marsh, co-curador em Londres, o MIS foi a primeira instituição no mundo a se interessar pela exibição antes ainda que ela fosse inaugurada no Reino Unido. “Os brasileiros estão dedicados a dar um bom espetáculo nos próximos anos. O interesse na exposição mostra a vontade de se destacar também na área cultural”, avalia Marsh.

9-11-2013 N1

A EXPOSIÇÃO
Um dos grandes méritos da exposição é não reduzir Bowie à condição de compositor e cantor. Disposta de forma labiríntica, não-cronológica, a exposição apresenta em seus diversos espaços e centenas de itens as influências que ele sofreu de diferentes ramos da cultura e o modo como sua atuação marcou o panorama cultural desde os últimos anos da década de 1960 até hoje. “Ele está vivo e criando, por isso ‘David Bowie is’, no presente”, explica Marsh.

No formato em que a exposição foi montada em Londres, o primeiro objeto visto pelo espectador é o curvilíneo traje de vinil desenvolvido por Kansai Yamamoto para a turnê de “Aladdin Sane”, em 1973, acompanhado de um esboço de manifesto que Bowie escreveu enquanto trabalhava no álbum “Outside”, de 1995: “Toda arte é instável. Não há voz de autoridade. Há apenas múltiplas leituras”.

Nos primeiros espaços da exposição, há uma imersão no caldo cultural em que Bowie formou-se enquanto performer. Há um vídeo com a performance de 1969 “Singing sculptures”, da dupla britânica Gilbert & George, e fotos de Lindsay Kemp, boêmio, dançarino, mímico, que foi mentor de Bowie quando este fez parte de sua companhia de teatro. Há ainda um pequeno quadro de Little Richard que desde sua adolescência até os dias de hoje Bowie tem pendurado em sua parede –“Richard era ambíguo, histérico, não era a escolha mais óbvia de ídolo naquele momento”, comenta Marsh.

Ao longo de sua trajetória, ele “foi absorvendo influências como uma criança recolhe brinquedos do chão”, diz Marsh. A exposição acompanha a contínua renovação desse leque de referências, passando por “2001: Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick, inspiração para o primeiro sucesso de Bowie, “Space Oddity”, de 1969; “Metropolis”, filme de Fritz Lang, e “1984”, livro de George Orwell, ambos inspirações para a concepção musical e cênica do espetáculo “Diamond Dogs”, de 1974. Até mesmo o artista dadaísta Tristan Tzara, o inspirador da apresentação marcante de David Bowie no programa de televisão norte-americano “Saturday Night Live”, em 1979, está lá representado. Essas influências aparecem por meio de numerosos itens na exposição, como livros, telas originais, vídeos, maquetes, objetos de cena etc.

Bowie, artista plural, fez parcerias com estilistas talentosos, procurando criar identidades estéticas coerentes com suas renovações criativas contínuas. Ao longo da exposição, o espectador depara-se com dezenas de trajes e acessórios originais que marcaram diferentes momentos e personagens encarnados por Bowie. Destacam-se o macacão desenvolvido por Freddie Buretti em 1972 para o personagem extraterrestre e sexualmente ambíguo Ziggy Stardust; trajes criados por Yamamoto para a turnê do álbum “Aladdin Sane” e o sobretudo desenhado por um ainda principiante Alexander McQueen, para a capa do álbum “Earthling”, de 1997.

A última sala da exposição conta com três telões de mais de três metros de altura, cuja vinda para o Brasil está confirmada. Neles são projetadas apresentações-chave na trajetória do cantor, como a última aparição de Ziggy Stardust, em 1973, e também filmagens recentemente descobertas.

Fonte:Folha de S. Paulo