Ibermuseos disponibiliza vídeo do terceiro webinar sobre comunicação entre o físico e o virtual

A comunicação dos museus no mundo virtual e o nascimento de novos públicos foram temas analisados ​​no terceiro webinar do Ibermuseos, que está disponível no Youtube para conferência de quem não participou.

Num dia intenso que durou cerca de duas horas, concluiu-se o webinar: “Travessias Museais: Comunicando entre o físico e o virtual”, onde a transformação da comunicação museológica desde a pandemia, o uso da tecnologia como alternativa aos encerramentos temporários de vários museus da região e o aumento de ciberpúblicas foram abordados.

A pesquisadora e especialista em políticas públicas, memória social e museus, Ivette Celi, do Equador, que moderou o evento, provocou a conversa ao indicar que o aumento do uso de aplicativos on-line tornou-se um elemento de homogeneização de experiências e uma ferramenta de interação com o público. 

Além disso, destacou que hoje, cada vez mais os internautas julgam, opinam, rejeitam ou agregam vínculos de pertencimento a instituições museológicas ao mesmo tempo em que constroem dinâmicas de interação global. Ela também questionou que muitos museus pequenos, comunitários e locais da América Latina não poderiam se desenvolver no mundo virtual, devido à falta de conexão para toda a população.

Sissy Delgado, especialista em Comunicação e Publicidade da Southern Peru Scientific University, afirmou que “com a virtualidade, os museus não vão perder a conexão com seus públicos. A virtualidade é uma oportunidade”, disse. E convidou a pensar em quatro  alternativas para gerar links virtuais: disponibilizar acervos digitais; criar e usar plataformas digitais; identificar o público-alvo e entusiasmar o público por meio do conteúdo. 

Por outro lado, mencionou que falta um trabalho articulado que atenda às necessidades de formação dos colaboradores de museus. “Não estão sozinhos (pequenos museus) existem associações e redes de apoio para que possam desenvolver melhor o seu trabalho na virtualidade”, disse. Ela acredita que o museu virtual continuará acompanhando o museu físico daqui para frente.

João Neto, diretor do Museu da Farmácia e presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), destacou que os trabalhadores de museus “nunca baixaram os braços nesta época de pandemia e têm trabalhado intensamente para ter novos públicos. Quando um museu físico desaparece, desaparece a sua capacidade técnica. Temos que aprender a usar as novas tecnologias para que o objeto histórico não desapareça na virtualidade”, afirmou.

Por sua vez, Lauro Zavala, pesquisador e professor da Universidade Autônoma Metropolitana de Xochimilco (México), falou do conceito de “edutainment” (uma combinação de educação e entretenimento) como possibilidade de migração para museus tradicionais e vice-versa. Salientou que a virtualidade abre novos caminhos nos quais o museu se torna “um espaço múltiplo, um ponto de encontro com o jogo num projeto programático”.

Sissy Delgado, assim como Lauro Zavala especificaram que existem mudanças de comportamento das quais fazemos parte. A virtualidade está moldando novos públicos e novas estéticas. “As redes sociais vão ser a primeira opção para os jovens nativos digitais, mas nem todos foram educados digitalmente. Adicionado a isso, estão as lacunas de conexão. E uma cultura participativa: todos querem ser protagonistas de suas próprias histórias. Estamos em uma cultura de acesso aberto. Não guardamos informação, agora queremos consumir on-line ”, disse o especialista.

João Neto, que pensa que o público fica sobrecarregado por estar em casa e vai aos poucos procurar voltar a visitar os museus fisicamente, declarou no último bloco: “As tecnologias devem trabalhar para nós e não nós para as tecnologias. Essas tecnologias podem ajudar a democratizar o acesso ao patrimônio do conhecimento”.

Com esta grande reflexão, foi concluído mais um ciclo de Conversas Ibermuseos, que disponibiliza em seu canal no Youtube os vídeos do ciclo completo. Os três temas se entrelaçam e juntos compõem um amálgama de informações de grande interesse que podem servir de inspiração e motivação para profissionais de museus e tomadores de decisão da região.

Fonte: Ibermuseos