Grandes fotógrafos abordam a saudade no Itaú Cultural

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Leila Diniz por Evandro Teixeira (Foto: Divulgação)

Resenha por Laura Ming

O título fala de saudade, mas a seleção de 110 fotografias expostas em dois andares do Itaú Cultural está longe de associar o termo à tristeza. A beleza e a delicadeza das imagens escolhidas, que permeiam 84 anos de história do Brasil, conduzem a uma nostalgia desses corpos, roupas e expressões que não circulam mais pelas mesmas ruas e paisagens. A maioria dos trabalhos, cerca de 60% deles, é inédita, fruto de um ano de pesquisa do curador Diógenes Moura, que viajou para cidades como Salvador, Recife, Belém e Rio de Janeiro em busca de artistas esquecidos e negativos perdidos. “Encontrei acervos de fotógrafos importantes em armários e quartos de casas de familiares, em risco de ser danificados”, conta Moura. As obras foram reunidas em composições por afinidade estética, portanto autores e datas se misturam em núcleos que apresentam retratos de noivas, cliques modernistas de Julio Agostinelli e do austríaco Kurt Klagsbrunn e registros de velórios. Outros nomes do calibre de Gilvan Barreto, Luiz Braga e Luiz Carlos Barreto também estão presentes na seleção. No subsolo da instituição fica o recorte mais pesado: nele, o visitante pode ver uma série de tatuagens de jovens assassinados na periferia de Belém, acompanhada de uma instalação sonora que descreve a situação. O conjunto de Wagner Almeida é tocante e deve despertar emoção no público. Até 8/3/2015.

Fonte: Veja SP Abril