Gestão museológica: ferramenta para a otimização de recursos

Museóloga Beatriz Cavalcanti Arruda faz conferência sobre o assunto no primeiro dia do EPMi Nordeste

Uma das principais atividades do primeiro dia do Encontro Paulista de Museus itinerante Nordeste (EPMi Nordeste) é a conferência de abertura “Gestão museológica: análise, equilíbrio e coerência a partir da lógica dos museus”, a ser realizada pela historiadora e museóloga, membro do Conselho Internacional de Museus (ICOM), Beatriz Cavalcanti Arruda.

Na entrevista abaixo, a especialista resume quais são os principais pontos necessários à Gestão Museológica, avalia como diferentes tipos de instituições museológicas podem desenvolver um sistema de gestão adequado e comenta sobre a relevância de eventos como o EPMi Nordeste.

O encontro, realizado pelo SISEM-SP em parceria com a ACAM Portinari, acontece dias 27 e 28 de fevereiro, no SESC Ribeirão Preto – com inscrições abertas aqui até 22 de fevereiro.

SISEM-SP: O que hoje se entende por Gestão Museológica e qual a importância dessa prática aos museus, em especial aos de menor porte?

Beatriz Cavalcanti Arruda: A gestão museológica pode ser definida como logística, mediação e coordenação de processos de salvaguarda, pesquisa e comunicação que visam a transformação do patrimônio em herança comum. A gestão museológica é fundamentada pela teoria da Museologia, ainda que naturalmente se relacione com diversas outras disciplinas.

Museus de todas as tipologias e tamanhos são cada vez mais exigidos e pressionados social e economicamente. É preciso que tenham sempre em conta a natureza e os princípios da Museologia para que não sucumbam a interesses estranhos, não desviem de seus verdadeiros propósitos e ainda possam influenciar positivamente públicos, tomadores de decisão e financiadores.

SISEM-SP: Como conscientizar diferentes perfis de museus sobre a importância de se fazer uma gestão adequada?

Beatriz Cavalcanti Arruda: A gestão profissional baseada nos princípios da Museologia, na cultura do planejamento e da avaliação, no respeito à diversidade, no diálogo, no compartilhamento de decisões e na transparência dos processos pode beneficiar pequenos e grandes museus. Certamente, a difusão de boas práticas existentes em museus Brasil afora pode estimular a replicação, a renovação e a inovação.

SISEM-SP: É possível adequar poucos recursos à gestão adequada de um museu?

Beatriz Cavalcanti Arruda: Museus são instituições complexas que demandam a realização de etapas encadeadas de salvaguarda, pesquisa e comunicação para cumprir suas funções patrimoniais, educacionais, culturais e sociais. A estimativa de recursos – financeiros, humanos e materiais – é avaliada de acordo com cada cenário, traçando metas e objetivos que promovam o desenvolvimento institucional.

A gestão museológica emprega o planejamento, a avaliação sistemática e o estímulo a soluções criativas como ferramentas para a otimização de recursos.

SISEM-SP: De que forma eventos como o EPMi podem auxiliar na divulgação de práticas e ideias sobre Gestão Museológica?

Beatriz Cavalcanti Arruda: Na última década, o Encontro Paulista de Museus se consolidou como um dos mais importantes eventos brasileiros da área museológica, com a abordagem de temas essenciais e com a promoção do diálogo entre profissionais de museus. Por ter sido realizado somente na capital paulista até agora, sua abrangência tinha limites impostos pelas grandes distâncias dentro do Estado de São Paulo. Com a versão itinerante, o EPM amplia seu potencial de alcance territorial e de acesso de profissionais. É esperado que a difusão de políticas públicas, reflexões e trocas dos próximos EPMi causem impactos positivos em museus de todo o Estado de São Paulo.

Fonte: SISEM-SP