‘Galeria ambulante’ invade o metrô de São Paulo

Quadros, fotografias e até mesmo uma prancha de skate estilizada coloriram a tarde deste sábado nas linhas 2-verde, 1-azul e 3-vermelha do metrô de São Paulo. Penduradas junto ao corpo ou carregadas nas mãos pelos artistas e admiradores de arte, as obras compuseram a terceira edição da Walking Gallery São Paulo. 
 
A Walking Gallery (em português, literalmente, galeria ambulante) é um movimento internacional, que teve origem na Espanha, onde é realizado em seis cidades. O evento possui também edições em Londres e em Buenos Aires. 
 
“Este é um novo modelo de exibição de arte. Não tem curadoria. É uma oportunidade a mais para o artista expor, além das galerias e museus. A intenção é ir além das paredes”, disse à Folha a organizadora da versão brasileira da Walking Gallery, Ana Rosa Colhado. Ela ressaltou o caráter expositivo da galeria e frisou que as obras não estavam à venda.
 
O acontecimento é aberto ao público. Basta levar uma obra de arte que seja fácil de transportar e qualquer um está apto a participar. De acordo com Colhado, a intenção é levar arte para diferentes partes da cidade. Na primeira edição, a exposição circulou pela praça Benedito Calixto e, na segunda, pela praça Dom José Gaspar. A terceira, que teve em torno de 25 participantes, tinha foco na linha 2-verde.
 
A intenção era sair da estação Brigadeiro, ir até a estação Vila Prudente, na zona leste, e depois ir para a estação Vila Madalena, na zona oeste. Dessa maneira, a galeria percorreria toda a extensão da linha.
 
No entanto, apenas duas paradas depois da partida, na estação Ana Rosa, o trajeto teve de ser alterado. Duas funcionárias do metrô questionaram os participantes quanto à autorização para a realização do movimento. De acordo com elas, era necessária uma autorização formal, já que o espaço era “inadequado” por conta da “falta de segurança” da aglomeração na plataforma.
 
A comitiva não desanimou e seguiu pela linha azul até a estação Sé, quando desceria para passear e se exibir pela praça. Embora a alteração não estivesse prevista, a organizadora diz que o trajeto normalmente é mutável, seguindo a vontade e disposição dos participantes.
 
“É a ocupação do espaço público, que faz com que o artista exerça sua cidadania. Queremos a democratização da arte”, disse Colhado.
 
A julgar pelos sorrisos do público, bem como o número de cliques que a Walking Gallery atraiu, os paulistanos aprovaram a iniciativa.
 
Artista mostra quadro durante a 3ª edição da Walking Gallery, no metrô de São Paulo
 
 
Fonte: Folha de S.Paulo
Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress