Fórum Permanente apresenta a Jornada da Quarentena #03

Atividades on-line foram intensificadas em virtude do distanciamento social compulsório devido à pandemia de COVID-19

Após as edições #01 e #02, o Fórum Permanente promove a Jornada da Quarentena #03, com a disponibilização, no site, de mais uma seleção de artigos, ensaios, painéis de debates e outras produções artísticas de seu imenso arquivo. O objetivo é estimular a difusão de um conteúdo de qualidade sobre arte contemporânea e museus de arte.

A Jornada da Quarentena #3 tem como tema a relação intrínseca entre Arte e História. Os textos selecionados abordam a construção da memória e, em particular, o papel dos museus nessa edificação. Afinal, a quem pertence a memória? A quem pertence a história? Uma obra ou coleção poderia, assim como todos que estão em quarentena, “ficar em casa”? Onde afinal seria sua casa? Quem decide?

Confira algumas recomendações:

1 – Por uma estética do precário: antimonumentos e a arte de ‘desesquecer’ Por Márcio Seligmann-Silva

Nesse longo ensaio publicado no Periódico Permanente #7, Márcio Seligmann-Silva elabora uma forma de se pensar a memória na produção artística recente. A memória do trauma, das violências, aquela que orienta o capital e altera nossa condição presente. O autor escolhe algumas exposições recentes e diversos trabalhos que nelas foram apresentadas para tecer seus comentários a respeito das políticas de memória e esquecimento. A relação tecida entre monumento e mausoléu nos dão dicas preciosas de como olhar para o papel dos museus e das narrativas na contemporaneidade. 

2 – O dever de memória, direito ao esquecimento e dever de história no campo dos museus.  Conferência de Ulpiano Bezerra de Menezes e Relato Crítico por Erica Ferrari

Nessa conferência, o professor e historiador Ulpiano Bezerra de Meneses aborda a presença da memória traumática nos museus. “Há uma crescente necessidade de abertura das instituições para uma gestão com participação da comunidade, o que alimenta a prática do tratamento da memória traumática no espaço do museu”, relata Erica Ferrari. O conferencista relaciona memória e esquecimento como faces de um mesmo processo, interdisciplinar. Quais os limites entre o “direito de esquecer” e o “dever de lembrar”?

3 – Museus de Berlim na FAAP – “Antiguidade – Museus – Contemporaneidade” Palestra de Andreas Scholl e Relato Crítico por Vinícius Spricigo

Andreas Scholl, diretor da Divisão de Antiguidades dos Museus Nacionais de Berlim, na FAAP, aborda nessa palestra a formação da coleção do Museu Pergamon, na “Ilha dos Museus” (Museumsinsel) de Berlim, formada por um acervo gigantesco de arte internacional, que inicia na pré-história e vai até o século XIX. Vinícius Spricigo relata que “a história desse acervo monumental não se confunde somente com a história do Museu Pergamon ou da Ilha dos Museus, mas também com a história da própria Alemanha.”

4 – Encontro Arte “latino-americana” (1960-70), “na América Latina” (1980-90) e “Made in Latino-América” (00) e Relato Crítico por Julia Buenaventura

A criação, organização, catalogação e sentido das coleções de arte latino-americana passaram por diferentes modelos nas últimas décadas, entretanto sempre com uma forte presença das orientações advindas de organizações privadas e de lógicas do mercado, ao contrário de caminhos oferecidos pelas discussões históricas, teóricas e críticas. O relato crítico de Julia Buenaventura faz uma importante síntese e reflexão deste processo histórico a partir de um encontro ocorrido no Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) intitulado “América Latina e Arte Contemporânea: Curadoria e Colecionismos“.

5 – “Arte africana e o conceito de arte” por Ilana Seltzer Goldstein

Em um mundo globalizado em que a arte e os museus operam em redes, por vezes em posições desiguais, refletir sobre os conceitos, obras e instituições é essencial para desmistificar preconceitos de longa data. Nesse sentido, seria a ideia de arte africana uma invenção? O relato crítico da professora e antropóloga Ilana Goldstein oferece um panorama acerca dessa discussão que por vezes tenta ser simplificada, reduzindo um continente e suas singularidades a uma visão eurocêntrica. “Em síntese, o que chamamos hoje de arte africana resulta da dialética entre permanência e transformação, entre unidade e diversidade, entre a criação dos artistas africanos e os parâmetros do mercado de arte euroamericano”.

6 – “Como aproximar o museu das pessoas? Afinal, o que quer a multidão?” Por Ana Pato

Como entender o papel dos museus na formação da identidade e memórias nacionais sem olhar para as suas relações com as comunidades em que estão inseridos? Ana Pato faz um relato da abertura do V Encontro Paulista de Museus, ocorrido em meio às manifestações de junho de 2013, em que o engajamento social das instituições e as parcerias público-privadas eram ponto central. Ou, como sublinha Pato, “a importância de olhar a instituição a partir da exploração e do conhecimento do universo ao redor do museu – quem são nossos vizinhos?” 

Fonte: Fórum Permanente