Faltam museus, diz novo titular do setor

Ângelo Oswaldo de Araújo Santos assume Ibram três meses após nomeação com mesma bandeira de antecessor

Último presidente do Instituto Brasileiro de Museus já defendia uma instituição em cada município do país

Mais de três meses depois de ter sido indicado pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, como o novo presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), o mineiro Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, 65, teve sua nomeação publicada anteontem, no Diário Oficial da União, e disse à Folha que o país tem menos museus do que o necessário.

“O Brasil tem 3.300 museus e [quase] 5.600 municípios, então precisa de mais museus, porque muitos municípios ainda não têm um”, disse Araújo Santos anteontem à noite, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio.

“A ministra Marta Suplicy tem a clara compreensão do fenômeno dos museus, porque o museu se transformou num instrumento para o desenvolvimento de projetos socioculturais”, disse.

Araújo Santos ecoa a opinião do antropólogo José do Nascimento Júnior, exonerado por Marta em março deste ano depois de ter criado o Ibram em 2009, com a mesma bandeira de que o país precisa de pelo menos um museu em cada município.

O Ibram administra diretamente 30 museus federais, além de coordenar as políticas públicas para o setor.

Segundo Araújo Santos, os museus do Ibram precisam ser “paradigmáticos, referência, e cada vez mais aperfeiçoados”. Não é o que se observa hoje na maioria deles. O Museu Nacional de Belas Artes, onde ocorreu a entrevista, sofre com graves problemas de infraestrutura, que não consegue solucionar por demora na liberação de verbas.

Único museu do Ibram em São Paulo, o Lasar Segall, também perde em comparação com seus concorrentes estaduais, que têm programação mais forte e dinâmica.

Questionado se a baixa taxa de visitação da maioria dos museus brasileiros não depõe contra a ideia de aumentar o número de instituições, Araújo Santos citou o que vê como exemplos de sucesso.

“Não acho que os museus brasileiros sejam pouco visitados, porque estou acostumado a ver fila todo dia na porta do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. O museu [Instituto] Inhotim, hoje, atrai gente do mundo inteiro para Brumadinho [MG]. O Museu Imperial, de Petrópolis [RJ], é um dos mais visitados do país”, disse, lembrando ainda o Masp, a Fundação Iberê Camargo [Porto Alegre], o MAC de Niterói e o Museu Paulista, em São Paulo.

“Estamos numa escalada, o país está em desenvolvimento e os museus acompanham o ritmo do país. Há hoje um público novo, com acesso à produção cultural. Há uma transformação positiva, cabe ao Ibram buscar sempre mais, ampliar o público e aprimorar os museus.”

Ex-prefeito de Ouro Preto (MG) em três mandatos, pelo PMDB, Araújo Santos já havia presidido o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão responsável pelos museus do país antes do Ibram.

Na contramão de boa parte dos presidentes de órgãos ligados ao MinC, que reclamam da falta de pessoal e de verbas, o novo presidente do Ibram elogiou a situação do instituto –que tem um orçamento de R$ 142 milhões previsto para este ano, R$ 14 milhões a mais do que em 2012.

“Temos equipe competente para assumir qualquer desafio. Do ponto de vista financeiro, temos uma legislação que nos permite captar recursos. A ministra esteve na Petrobras, e vamos ter recursos para investimentos nos museus nos próximos meses.”

Ele não quis antecipar o valor a ser investido pela estatal –disse que Marta fará um anúncio em breve–, mas mostrou que conta com a ministra para cumprir o que chamou de “grande desafio”.