Exposições Silêncio Tátil e Flame podem ser vistas até 7 de junho no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba

Os visitantes do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) têm até o dia 7 de junho para conferir as exposições “Silêncio tátil”, da artista visual, designer e joalheira Elisa Stecca e “Flume”, da artista visual Patrícia Carparelli.  

“O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência, como o mármore não talhado é rico em escultura”. A frase, do romancista inglês Aldous Huxley, foi um eco que norteou a exposição inédita de Elisa Stecca, na sala 2 do Macs. Criada especialmente para ser exposta no Macs, “Silêncio tátil” foi concebida como uma mostra inclusiva e propõe uma experiência sensorial por meio de um vídeo e de esculturas táteis, além de uma vivência de supressão dos sentidos tradicionais, como uma maneira de acesso ao sexto sentido: a percepção.

A mostra reúne três obras inéditas, “Estilingue”, “Silêncio tátil” e “Silêncio compartilhado”, com curadoria de Paula Alzugaray. “É um prazer para nós expor esse conjunto de obras de autoria da Elisa e ver todo o cuidado com que ela preparou cada um dos trabalhos para serem acessíveis também às pessoas com deficiência visual”, comenta a presidente do Macs, Cristina Delanhesi.

“Estilingue” é um objeto escultórico que reúne aspectos fundamentais da formação da artista, como artes plásticas, joalheria e pesquisa alquímica. Nela, uma gota de vidro transparente serve de recipiente para a água e o mercúrio, suspensa por uma estrutura em latão e ancorada por uma pirita rosa e faixas de couro. Sentimentos de sedução, repulsa, perigo e beleza se misturam em suspensão, contemplação e suposição, tornando-se uma surpresa perante o metal líquido, insondável e misterioso.

Já “Silêncio tátil” traz esculturas de cerâmica metalizada em alta temperatura, que remetem às formas líquidas do mercúrio. As obras, segundo a artista, foram concebidas para serem tocadas, uma vez que o elemento químico, em si, é sedutor e intocável. “Silêncio compartilhado”, por sua vez, é um vídeo em que grandes quantidades de mercúrio líquido escorrem em formações hipnóticas e é exibido durante a mostra como um convite à meditação.

De acordo com Elisa, a essência primária da exposição busca resgatar o aspecto “xamânico” da arte, que sugere um encontro com o sagrado.

Habituada a trabalhar com materiais preciosos, ela escolhe o silêncio como elemento valioso, fundamental, como uma maneira de introspecção e possibilidade de acessar níveis não usuais da percepção e da espiritualidade. Para ela, contemplar o silêncio é vivenciá-lo, aproveitando esse momento para refletir sobre outros assuntos que, às vezes, não são pensados racionalmente.

Flume

Simultaneamente, na sala 1, está a exposição “Flume”, de Patrícia Carparelli.

Com 18 trabalhos, a exposição é definida como uma mostra híbrida, em que pintura, objeto e vídeo se materializam nas eventualidades existentes entre nascente e foz de um rio. “Os cursos d’água são ampliados e derramam-se no espaço em um ritmo próprio, evidenciado por reflexos, densidades e impulsos traçados no trabalho de Patrícia”, descreve a curadora Thais Teotonio. Para Cristina Delanhesi, a artista, com carreira em franco crescimento, deverá fazer muito sucesso. “Patrícia é uma artista nova, que começa a trilhar sua carreira com o profissionalismo de quem, certamente, mostrará muito para os acompanhantes de sua produção”, afirma a presidente do Macs.

SERVIÇO:

Exposições “Silêncio Tátil” e “Flume”

Até 7 de junho, de terça a sexta, das 10h às 17h

Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba

Avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280, Centro, Sorocaba/SP

Informações: (15) 3233-1692

Gratuito

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul