Exposições celebram 30 anos do Museu Alexandre Chitto, em Lençóis Paulista

Neste mês de abril de 2018, Lençóis Paulista completa 160 anos, e a Paróquia Nossa Senhora da Piedade também comemorou seus 160 anos. No dia 23 o Museu Alexandre Chitto comemora os 30 anos da sua inauguração oficial. Para essas datas tão expressivas para nossa cultura, o MAC – Museu Alexandre Chitto, preparou duas especiais exposições: “Imagens de Nossa Senhora da Piedade que fizeram parte da
história de Lençóis Paulista” e “Fotos 30 Anos de História do MAC – Museu Alexandre Chitto”.

Essas exposições só acontecem graças á gentileza e contribuição das famílias que são portadoras dessas imagens em seus acervos particulares, a primeira imagem de Nossa Senhora da Piedade, esculpida em madeira na segunda metade do século XIX foi cedida pela Sra. Alhia Saleh El Khatib, pois os filhos que são netos do Sr João Baptista da Silva, á quem a imagem foi doada em 1949 pelo padre Salustio Rodrigues Machado conservam a imagem na Faznda Fartura.

A segunda imagem em gesso, que foi entronizada em 1935 na matriz e permaneceu até 14 de março de 1943, quando chegou por doação do Cel Joaquim Anselmo Martins a atual imagem do Santuário, é do acervo particular do Sr Ademir Rorato e familiares, que conservam essa tão valiosa obra em capela
destinada á Santa em também numa propriedade rural do município. Outra peça expressiva deste contexto é a que compõe o andor da Padroeira nas festividades de 15 de setembro, pertencente á familia do Sr Waldemar Coneglian e Suly Orsi Coneglian (em memória), que é ornamentada pela família Coneglian em andor especial há 59 anos, porém esta tradição familiar já perdura 83 anos. Outras imagens menores do acervo do Santuário, emprestadas pelo Monsenhor Carlos José, também participam da mostra.

A ambientação das peças são por conta de pinturas em telas da artista lençoense Sra. Ivone Paccola, grande profissional responsável por restauração de importantes peças sacras de igrejas e acervos particulares do país, entre eles a Nossa Senhora da Piedade do atual altar do Santuário. Telas grandes ilustrando a Virgem Maria e Jesus em fases distintas de sua história, desde o Jesus Menino até o derradeiro momento da Piedade estão expostas.

A mostra “Fotos 30 Anos de História do MAC – Museu Alexandre Chitto”, foi concebida a partir do acervo do Museu, Espaço Cultural “Cidade do Livro” e da família Chitto, cedidas pelas filhas do sr Alexandre Chitto, Therezinha e Meiry. Fotos da inauguração em 23 de abril de 1988, reformas, fachadas, visitas de estudantes e eventos são algumas das ilustrações que o visitante poderá conhecer e/ou relembrar. Toda essa reunião de forças resulta num evento único e histórico em nossa cidade.

O Museu, é a concretização do sonho do seu idealizador, por muito tempo ativo por conta da doação e disponibilidade de suas filhas em realizar trabalho voluntário, para além da coleta e preparação do todo
acervo, também para montagem de exposições e recepção de visitantes, e da municipalidade em adotar tão importante acervo para a guarda e ilustração da história de seu povo. Alexandre Chitto em texto do livro Folhas Esparsas diz: “Tive a ideia de criar um Museu, um presente para Lençóis, capaz de mostrar um acervo expressivo e transmitir às gerações futuras, uma verdadeira “aula-viva” de história.”

No dia 28 de abril de 1858 o “Bairro dos Lençóes” foi elevado à categoria de freguesia pela Lei Provincial nº 36, sob a invocação de Nossa Senhora da Piedade. “Como Frequesia é igual Paróquia, á partir deste dia e ano, Nossa Senhora da Piedade tornou-se a “Padroeira da Matriz da Parochia de Lençóes” (Fonte: Arquivo do Estado).

Esses documentos mostram o quanto a paróquia está relacionada à criação do município e ligação direta com nossa história. As imagens , os santos são grandes mostradores de uma cultura. Diz Leandro Karnal, professor e historiador contemporâneo: ” A santidade é um caminho para materializar muitas coisas. Ela é simbólica e cria redes de comunicação. Cultos criam identidade e códigos. Santos são tribais e universais. A cultura fala pelos santos de um local e sua memória e seu culto são testemunhos vivos da
sociedade. Um santo é um documento histórico para o olhar treinado. Da mesma forma que o lindo bonsai da cultura nipônica deve conter parte de todo o universo numa pequena árvore, o santo deve ilustrar toda a possibilidade do sagrado num único ser. A santidade é humildade e, no seu humano-divino, todo santo mostra os limites e a glória da existência concreta da plenitude personificada numa biografia.”

Fonte: Museu Alexandre Chitto