Exposição ‘Vespa: um ícone italiano – História, Cultura e Design’

Vespa

O Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria de Estado da Cultura, e o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo realizam a primeira exposição da motocicleta Vespa no Brasil. A partir de 10 de junho, Vespa: um ícone italiano – História, Cultura e Design apresentará a trajetória do veículo desde a sua criação, no final dos anos 1940, por meio de vídeos, fotos, painéis com a linha do tempo e informações sobre a Vespa, além de modelos históricos cedidos por colecionadores, museus e pelo próprio fabricante, a companhia italiana Piaggio. A exposição fica em cartaz até 3 de agosto no MCB.

Sob a curadoria de Ricardo Peruchi, consultor de comunicação do Istituto Europeo di Design (IED São Paulo), a mostra é uma oportunidade para o público brasileiro conhecer a história da Vespa que, em período de intensas transformações sociais e econômicas, foi importante protagonista não só na Itália, onde foi criada, mas em toda a Europa e em outros países ao redor do mundo. “A exposição dedicada à Vespa no Brasil pretende ir além do significado relativo à tecnologia e à engenharia mecânica. Por trás das formas muito familiares do simpático scooter surge a nítida sensação da marca italiana”, afirma Renato Poma, diretor do Instituto Italiano de Cultura. “O certo é que deixa todos curiosos para saber onde estão as raízes de um sucesso tão extraordinário”. Desde o seu lançamento, em 1946, mais de 16 milhões de unidades da Vespa foram comercializadas em todo o mundo.

“Essa mostra revela o quão significativo pode se tornar um produto para além das questões técnicas e de mercado intrínsecas ao universo da produção industrial”, explica Miriam Lerner, diretora geral do MCB. “São valores culturais construídos a partir de um produto que atravessa gerações em decorrência da qualidade de seu design.”

Inicialmente, “Vespa: um ícone italiano” situa o visitante no tempo em que a motoneta foi desenhada, passando pelo lançamento e comercialização pela companhia Piaggio, em abril de 1946. A exposição apresenta detalhes da tecnologia e design empregados na produção da Vespa ao longo das últimas décadas. Fãs da motoneta e o público em geral poderão conferir de perto modelos históricos, protótipos, peças e projetos mecânicos provenientes do Museo Piaggio, em Pontedera (Itália), que conserva o acervo do idealizador e construtor histórico da Vespa, Enrico Piaggio. Complementam o conteúdo expositivo materiais ilustrativos, vídeos e fotografias narrando como esse veículo se consolidou na Itália e mundo afora.

Relacionada ainda a emancipação da mulher no fim da Segunda Guerra, a Vespa se tornou símbolo da independência feminina por meio da publicidade, como é mostrado na exposição em cartazes de cinema, anúncios publicitários e outras imagens, entre elas a aparição de Audrey Hepburn e Gregory Peck no filme “Roman Holiday – A princesa e o plebeu”, montados na motoneta que virou objeto de desejo, capaz de passar por oito décadas sem perder o charme.

A primeira exposição da Vespa do Brasil é uma realização do MCB e do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, em colaboração com a Fondazione Piaggio di Pontedera, do Museo Piaggio, do Centro Multimediale del Cinema e da Scooteria Paulista, com produção da Arteon Inteligência Cultural. A mostra integra o projeto da Embaixada da Itália no Brasil – “Itália na Copa” -, que reúne uma série de eventos artísticos, culturais, tecnológicos e comerciais realizados em 16 cidades brasileiras, antecedendo a Copa do Mundo FIFA 2014. O projeto tem como objetivo mostrar aos brasileiros uma imagem da Itália moderna, junto aos elementos tradicionais da cultura italiana que já estão presentes no país.

História da Vespa no Brasil
Produzida em pequena escala pela primeira vez em Gênova no ano de 1946, a Vespa foi concebida pelo engenheiro Corradino D’Ascanio, da indústria Piaggio de Pontedera, para ser prática e funcional. Com inovações mecânicas que simplificavam a direção e manutenção, logo ela se tornou um sucesso comercial do pós-guerra e um meio de locomoção de massa.

Presente no Brasil desde o final dos anos 1950, a motocicleta foi o transporte de famílias inteiras, com uso diversificado tanto para o lazer como para fins utilitários, constituindo um capítulo marcante no crescimento do país e alimentando sonhos de muitos brasileiros. Entre 1958 e 1964, por meio da empresa Panauto – licenciada pela fabricante original Piaggio -, os primeiros modelos da Vespa foram montados no Brasil. Foi nos anos 1980, no entanto, que a motoneta viveu seu apogeu no país, com a Motovespa, companhia que chegou a ter 140 revendas autorizadas espalhadas desde Manaus, onde os veículos eram produzidos, até Porto Alegre. Os brasileiros viviam, neste período, a redemocratização política em que difundiram-se muito os ideais de juventude e liberdade. Nesse cenário, foi natural a popularização da Vespa, símbolo italiano no qual estes conceitos eram facilmente identificáveis, pois esta era, à época, o transporte de duas rodas mais famoso do mundo.

Devido ao desenho inovador para a época, a Vespa já foi exposta em inúmeros museus de design, arte moderna e ciência e tecnologia. Ela faz parte do acervo permanente do Triennale Design Museum, em Milão, e do Museum of Modern Art (MOMA), em Nova York.

Sobre o Instituto Italiano de Cultura
O Istituto Italiano di Cultura de São Paulo, fundado em 1945, é um órgão oficial do Governo Italiano, com sede na histórica mansão de Av. Higienópolis, 436. O edifício, construído nos anos 20, em estilo neoclássico, hospeda os escritórios administrativos e dispõe de uma sala biblioteca e um espaço destinado à sala multimídia. A presença de 25 milhões de italianos e descendentes de italianos no Brasil confere ao Istituto uma tarefa importante e delicada: manter vivas e reativar os valores da tradição e as ligações com a cultura de origem da comunidade que aqui chegou por ocasião do primeiro fluxo migratório em 1880 e que nunca mais se interrompeu; e enriquecer o panorama cultural com iniciativas voltadas não somente à promoção da língua e cultura italianas, mas também com ações de cooperação entre italianos e brasileiros em uma mútua troca de competências, experiências que visam a favorecer um eficaz câmbio intercultural.

Realização: MCB e Instituto Italiano de Cultura de São Paulo
Produção: Arteon Inteligência Cultural
Apoio: Fondazione Piaggio di Pontedera, Museo Piaggio, Centro Multimediale del Cinema e Scooteria Paulista

Fonte: MCB