Exposição traz obras que contam cinco séculos de história do Brasil

13112014-IMG 9373-696x358
Espaço Olavo Setubal – Exposição permanente é inaugurada no Itaú Cultural com obras das coleções Brasiliana Itaú e Itaú Numismática / Itaú Cultural

Moedas, pinturas e documentos podem ser encontrados na mostra em SP.
No evento, é possível descobrir como Brasil era visto ao longo dos séculos.

Uma das mais ricas coleções de arte e documentos sobre o Brasil ganhou um espaço permanente, em São Paulo. Os cinco séculos de formação do país, do descobrimento aos dias atuais, são contados por mais de 1,3 mil peças.

As moedas que carregamos nos bolsos são “tataranetas” daquelas moedas que circulavam na Europa em 1499, um ano antes dos portugueses desembarcarem por aqui e se transformarem no ponto de partida de todas essas obras e documentos, que demoraram três anos para serem organizados em uma exposição que agora é permanente.
“Pergaminhos, documentos, gravuras, pinturas, moedas, medalhas, nós temos aqui um grande tesouro das obras de arte brasileira”, afirma o curador Wagner Porto.

Tudo começa numa época em que os europeus juravam que a América do Sul tinha um formato diferente do que conhecemos hoje. Eles pintavam a nossa costa olhando da terra e viam do mar de dentro dos navios.

Um paraíso onde se ergueram palácios que se perderam no tempo, mas podem ser recriados em três dimensões.

A exposição também traz um acervo gigantesco de estudiosos europeus. Naturalistas que tinham o trabalho de pintar e catalogar as plantas e os animais que eram encontrados aqui no Brasil. Um retrato artístico fiel da nossa flora e da nossa “fauna”, que alguns estudiosos dizem que também era integrada por uma “fauna dos índios”.

“É uma exposição pensada não só na historia, é o discurso das artes em cima da história, os artistas representando a história do Brasil”, explica Angélica Pompílio de Oliveira, analista do acervo.
Artistas que conheceram uma vila que nem de longe lembra a São Paulo de hoje e o que os visitantes só descobrem, no quadro, olhando para o céu. E no céu deve ter ficado Duque de Caxias quando ganhou de Dom Pedro, segundo uma medalha com 211 gramas de ouro. Daria para comprar várias cartas de alforria, como algumas que foram escritas a mão.

Pobres dos escravos que não conseguiam uma igual e eram submetidos as torturas, fortemente retratadas por artistas como o francês Debret e o alemão Rugendas. “Mostram com riqueza de detalhes, as marcas, o sangue que é escorrido, todo o descontentamento é perceptível nessas obras”, afirma o curador Wagner Porto.

A tecnologia ajuda a enxergar o detalhe da obra. Assim, passear por esses corredores é olhar para trás para entender bem no que a gente se transformou hoje. E, a partir daí, olhar para frente, quem sabe, de um jeito diferente.

Fonte: G1