Exposição São Paulo Invisível pode ser visitada até o dia 24 de janeiro

O Museu da Cidade de São Paulo está com a exposição São Paulo Invisível, com curadoria de Alecsandra Matias e coordenação de Henrique Siqueira.

A instituição aceitou o desafio de apresentar uma mostra com “processo curatorial participativo e visitável pelo público, e por conter, em seus painéis expositivos, os números e as histórias que se relacionam com eles, construídos como intervenções artísticas. Com essa proposição, assumimos a abertura da exposição com os painéis vazios, como lousas a serem riscadas com o conteúdo que emergir das conversas entre curadoria e convidados”, explica Henrique Siqueira. A Mostra foi inaugurada em 24 de outubro de 2020.

A curadoria da São Paulo Invisível contou com uma sala de escuta – o Laboratório dos números– em que foram realizadas com mesas de debates sobre temas diversos, cujas informações, em números, contribuíram para a forma da mostra, para a reflexão e para dar visibilidade a estes grupos sociais – a construção de conteúdo se deu no decorrer da mostra. Painéis criados por artistas, em diferentes linguagens, nasceram conforme o desenrolar dos encontros retratando presenças de uma cidade real, não pré-idealizada, tanto individuais como coletivas, que se recusam a desaparecer no tempo.

“Por pertencer a uma categoria de museu (“museu de cidade”) que tem a metrópole como objeto de atenção, propusemos olhar para alguns grupos sociais que, historicamente, se mantiveram desapercebidos pela sociedade e pelo poder público”, explica Henrique Siqueira. A busca da curadora e pesquisadora Alecsandra Matias foi pelo retrato e registro real da cidade, sempre descrita por números, cifras, estatísticas e percentagens grandiosas que contam histórias, mas podem não registrar um grande segmento da população que foge ao padrão da base de cálculo das políticas urbanas – um grupo de invisíveis que ainda resistem. A função primordial dos ciclos de encontros do Laboratório dos números foi, justamente, conhecer quais são os registros reais que mostram a presença ou a ausência desses “invisíveis” da cidade, quais histórias por trás dos números. “Os pesquisadores, artistas e agentes convidados trazem experiências e relatos que podem mudar conceitos endurecidos. As ideias, os fatos, os dados de pesquisas discutidos a cada encontro colocam a história oficial versus as polifonias mnemônicas”, diz a curadora.

São temas em discussão atualmente que passam por negros, índios, temáticas de gênero, refugiados, desabrigados e outros tantos que apresentam desafios.

Foram seis encontros programados de grupos envolvidos com as temáticas tanto de reconhecimento como pertencimento. As obras de arte – painéis – criados in loco pelos artistas convidados foram resultados dessas discussões, cada um com linguagem própria de cada criador. “São intervenções motivadas por repensar os temas e nos trazer a visualidade dessa cidade resistente”, explica Alecsandra Matias.

Com o término dos encontros e concluídos os painéis, São Paulo Invisível propõe uma questão: é possível a escrita de uma história na qual caibam os plurais? Responde a curadora: “Difícil pergunta. Mas, creiam, estaremos mais próximos da descoberta de uma nova versão de cidade”. O resultado desse trabalho teve a visitação prorrogada até o dia 24 de janeiro.

Fonte: Museu da Cidade de São Paulo