Exposição no Museu da Língua Portuguesa resgata vida e obra do cronista Rubem Braga

Ser o maior cronista brasileiro foi apenas uma das atividades da intensa vida profissional de Rubem Braga.

Além de escrever crônicas diárias, e quase sempre memoráveis, por anos e anos, o escritor capixaba (1913-1990) produziu grandes reportagens, cobriu a Segunda Guerra Mundial e eleições no exterior, foi diplomata, fundou editoras, traduziu livros, trabalhou na TV, escreveu sobre música e artes plásticas.

Um pouco de cada uma dessas facetas está representada na exposição que o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, abre nesta terça-feira (25) para visitação do público, em homenagem ao centenário do escritor.

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Módulo da mostra dedicada a Rubem Braga que reproduz uma redação de jornal de 1940

“Rubem Braga – O Fazendeiro do Ar” reúne textos, documentos, cartas, desenhos, pinturas, fotografias, depoimentos em vídeos e publicações raras. A exposição é dividida em módulos temáticos, repletos de recursos interativos, que perpassam a trajetória do cronista.

“Nosso objetivo foi fazer o de algo bastante lúdico, moderno, para fisgar mesmo os estudantes, que são o foco da exposição”, conta o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, curador da exposição.

O primeiro módulo, Redação, reproduz o ambiente de trabalho dos jornais dos anos 1940 e 1950. As paredes e o chão são cobertos por exemplares ampliados de jornais nos quais Braga trabalhou, como o “Diário Carioca” e o “Correio da Manhã”.

O espaço é ocupado por dez mesas, cada uma delas com iPads acoplados a máquinas de escrever. Quando o visitante pressionar uma das teclas da máquina, textos de Braga aparecerão nos iPads.

No espaço Guerra, dedicado à atuação do cronista como correspondente do “Diário Carioca” na Itália, em 1944, telefones antigos, ao serem tirados do gancho, trarão músicas, jingles e notícias da época do conflito.

Também é possível ler no espaço as reportagens que Braga produziu sobre os avanços da FEB (Força Expedicionária Brasileira). “De um lado ou de outro, o fato é que até agora o contingente da FEB tem dado conta do recado. O inimigo, que a princípio zombava dele, aprendeu a respeitá-lo”, informava um texto publicado em 24 de dezembro de 1944.

A mostra também se dedica à famosa cobertura de Braga em Ipanema, ponto de encontro de intelectuais que tem um jardim suspenso projetado por Burle Marx. No espaço, duas mesas exibem depoimentos de nomes como Ziraldo, Zuenir Ventura, Danuza Leão e Fernanda Montenegro.

RUBEM BRAGA – O FAZENDEIRO DO AR
QUANDO de ter. a dom., das 10h às 18h; até 2 de setembro
ONDE Museu da Língua Portuguesa (pça. da Luz, s/nº; tel. 0/xx/11/3322-0080)
QUANTO R$ 6
CLASSIFICAÇÃO livre

Fonte: Folha de S. Paulo