Exposição Gente de papel traz personalidades em machê

Desde pequena, a mineira Madalena Marques se habituou a fazer bonecos de papel e arame e a trabalhar com artes manuais. “Como a gente não tinha condições de comprar brinquedos, inventava no fundo do quintal. Meu pai trazia os arames do trabalho e aí usávamos a criatividade”, afirma.

Criatividade que ela levou para a vida e que está em sua primeira exposição intitulada “Gente de papel”, que pode ser vista até o dia 3 de junho, na sala do Museu de Arte Sacra de São Paulo do Metrô Tiradentes.

Com curadoria de Ana Cláudia Cermaria e João Paulo Berto, a mostra apresenta 64 esculturas em papel machê – outros materiais também são usados na produção das peças, como lã, metal, pedraria e tecido -, as quais representam a paixão da artista pela arte do retrato, trazendo um amplo conjunto de figuras humanas conhecidas do grande público, além de referências históricas e construtivas que abordam as mais distintas áreas do saber.

Ao utilizar um material peculiar, Madalena transita pela técnica, pelas manifestações culturais e pela história da arte, em uma mostra que busca aproximar os espectadores a elementos inerentes ao universo criativo da artista, marcado pelo experimental, pelos desafios e pelo conhecimento embasado na pesquisa, que orienta sua atuação e produção artística. Em “Gente de papel”, o visitante se vê diante de esculturas de personagens como a escritora e poetisa Cora Coralina, a atriz Fernanda Montenegro, o cantor, compositor e artista visual Arnaldo Antunes, as cantoras Elis Regina e Marisa Monte, a modelo Gisele Bündchen, a cartunista e chargista Laerte, o estilista Ronaldo Fraga, entre diversas outras personalidades. Em seus dizeres: “Fazer uma miniatura de alguém que eu escolhi porque gosto é alimentar minha alma de energia, é a minha forma de expressar o meu amor a este universo. Acho que este é o papel da minha arte, trazer alegria aos corações de quem a vê”.

Além dessa seleção de pessoas famosas brasileiras, o público é levado a um passeio pela história da arte ocidental, nacional e internacional, passando pelo Renascimento até o Modernismo brasileiro. Nove personagens femininas foram escolhidas por Madalena para reforçar o papel da mulher no mundo artístico, seja como representada ou como produtora, levando em consideração também a riqueza de detalhes, elemento motriz para a mente criativa da artista. Aqui, são exibidas interpretações de obras icônicas como a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, os autorretratos “Manteau Rouge”, de Tarsila do Amaral, “Pensando na Morte”, de Frida Kalho, e da própria artista, entre outros.