Escultor se inspira em comida para criar obras gigantes expostas em São Paulo

“É como se o Marcel Duchamp visitasse uma confeitaria.” É citando o homem que colocou um mictório dentro de um museu e o chamou de arte que Rogério Degaki, 39, define seu novo trabalho, “Five o’Clock Tea” (chá das cinco), que abre nesta sexta-feira (17) às 19h, no Centro Britânico Brasileiro (zona oeste de São Paulo).

Mas, em vez do banheiro, Degaki labutou na cozinha. Fez rosquinhas gigantescas, pão com manteiga de proporções titânicas e uma panqueca grande o suficiente para uma pessoa se sentar confortavelmente nela.

A arte da cozinha

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A torrada com geleia tem um rosto que aparece em meio ao doce e um metro de cumprimento

Escultor em ascensão, com obras que chegam a R$ 70 mil e clientes como o estilista Alexandre Herchcovitch e a socialite Ana Paula Junqueira, ele deixou as formas parecidas com brinquedos que usava até então.

A ruptura se seguiu ao término do relacionamento comercial que tinha com a Triângulo, uma das grandes galerias de São Paulo. “Foi muito libertador trabalhar um pouco sem ter a lógica do mercado por trás”, diz o artista.

Ao se ver livre para criar, ele logo começou a pensar em… comida. “Nos restaurantes japoneses, os pratos são apresentados em um carrinho, na hora de escolher. Mas não são porções de verdade, e sim imitações. Imaginei que aquilo em outra escala seria interessante.”

As obras podem até parecer bolinho, mas o escultor diz que não foi nada fácil. “Pesquisei materiais por meses. Descobri, trabalhando muito, que plástico ralado pode parecer muito com açúcar.”

Isopor virou massa de bolo, plástico virou açúcar e uma mistura química virou o glacê que será apresentado como arte. Se a produção dessa confeitaria vai vender feito pão quente? “Olha, não pensei nisso”, confessa Rogério.

Fonte: Folha de S. Paulo