Entrevista com a nova diretora dos Museus Histórico e do Café

Maria Luzia assume dois dias após a demissão de Daniel Basso, exonerado após o furto de dez a 12 peças históricas do acervo

A reforma dos museus Histórico e de Ordem Geral Plínio Travassos e do Café Francisco Schmidt, em Ribeirão Preto, não será apenas física, mas de filosofia e métodos de trabalho. De acordo com a museóloga Maria Luiza Clapis Pacheco Chaves, 33, nova diretora do complexo instalado no campus da Universidade de São Paulo (USP), a transformação vai passar por uma nova relação dos museus com a cidade e por uma organização interna dos trabalhos.

maria luiza museu do café
(Foto: Jornal A Cidade)

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“Uma das prioridades é definir a missão institucional. O museu deve se tornar um espaço de conhecimento, de reflexão, de debate sobre a cidade, da sua história e o seu desenvolvimento social, econômico e cultural”, afirmou Maria Luiza. “E, sobretudo, não deve estar preso ao passado”, completou.

Maria Luiza assumiu o cargo ontem, dois dias após a demissão do antigo diretor, Daniel Basso, exonerado após o furto de dez a 12 peças históricas do acervo, no domingo. “Uma das providências que têm de ser tomadas é rever a estratégia de segurança adotada nos museus”, disse.

Segundo ela, os novos rumos serão implantados enquanto os trabalhos de recuperação do Museu Histórico – um casarão do século 19 – estiverem em andamento.

“Queremos conhecer a situação do acervo na reserva técnica (local onde as peças ficam guardadas), conhecer o próprio acervo, ver como está o sistema de documentação, que é a base para todas as outras atividades, e elaborar um novo sistema de documentação”, afirmou a diretora.

Reserva técnica
A preocupação com o acervo deverá fazer com que também seja criado um local específico para a sua guarda das peças históricas. “Hoje o acervo é guardado nos porões do museu, que é um local inadequado. Queremos criar uma reserva técnica que contemple questões de museologia, como climatização, desumidificação e um laboratório para trabalhar com esses objetos e fazer a sua higienização e a própria guarda”, afirmou a chefe da Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria de Cultura, Michelle Cartolano de Castro.

Parceria privada
O custo total das obras de reforma necessárias nos museus Histórico e do Café está estimado em R$ 2,5 milhões. A maior parte desse valor deverá vir de parcerias da Secretaria Municipal de Cultura com a iniciativa privada. O jornal apurou que, até o fim da semana, metade dessa verba poderá vir da doação de uma instituição bancária. 

De acordo com a secretária municipal de Cultura, Dulce Neves, os cerca de R$ 2,5 milhões deverão ser usados nas obras nos dois prédios (Museu Histórico e Museu do Café), que incluem jardinagem, recuperação do coreto, criação de uma área de estacionamento, reforma da casa do colono e do monumento de Duque de Caxias. “A prioridade – que é também a parte mais cara – é a reconstrução do telhado e, depois, todo o processo de descupinização do casarão”, disse Dulce.

Fonte: Jornal A Cidade