Em cartaz no Museu da Casa Brasileira a exposição “Casas do Brasil – SOBREVIVÊNCIA / uma exposição sobre Vivências: Carandiru”

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Na sexta edição de Casas do Brasil, projeto que propõe a formação de um inventário sobre a diversidade do morar no país, o Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, realiza a exposição Casas do Brasil 2014 – SOBREVIVÊNCIAS/ uma exposição Sobre Vivências: Carandiru, com abertura no dia 9 de dezembro, terça-feira às 19h30, e visitação até 15 de março de 2015.

A mostra, que tem curadoria de Maureen Bisilliat, revela soluções encontradas pelos detentos para os obstáculos e para as condições de vida enfrentadas no cotidiano do presídio. A iconografia utilizada foi produzida pela equipe coordenada por Sophia Bisilliat e André Caramante entre 2001 e 2002, últimos anos de funcionamento da Casa de Detenção Professor Flamínio Fávero (Carandiru), antes de sua demolição. Para que este registro fosse feito, antes de dar início a qualquer documentação efetiva, foi necessária a presença passiva dos entrevistadores, entre abril e outubro de 2001, nos espaços internos da detenção. Em outubro de 2001 – dada a permissão de circular livremente (dentro dos limites do possível) nos pátios, celas e corredores –, Sophia e André iniciaram o trabalho de documentação. Juntaram-se a eles João Wainer para fotografar e Maureen Bisilliat para gravar em vídeo os detalhes: cada coisa e cada lugar destacados, magnificados e dignos de observação.

A equipe coletou peças do dia a dia, que formam um recorte das ferramentas e utensílios improvisados pelos detentos: fornos, ferros, filtros, facas, que, na mostra do MCB, podem ser vistos fisicamente e em imagens de Renato Soares. São apresentados objetos e arranjos interiores produzidos como “resistência cultural”, feitos criativamente em condição de extrema limitação. Complementam o conteúdo expositivo fotografias de Andreas Heiniger de portas e celas, identificando soluções de um cotidiano: a arquitetura da sobrevivência dos internos residentes da detenção.

Montada cenicamente por Marcos Albertin, a exposição é dividida em módulos temáticos: limpeza, comida, esporte, religião, celas, saúde, silêncio, solidão – capítulos que ganham vida por meio das palavras de Drauzio Varella. Médico oncologista, voluntário na Casa de Detenção por 13 anos, hoje atendendo na Penitenciária Feminina da Capital, o autor dá voz aos presidiários e carcereiros do Carandiru.

Luiz Eduardo Soares, antropólogo, cientista político, escritor brasileiro e um dos maiores especialistas em segurança pública do país, no seu prefácio de abertura à exposição, atenta para a “descoberta da vitalidade dos apenados, sua criatividade e a complexidade de suas reflexões, seus destinos, revelando um mundo surpreendente – o mundo do lado de lá, onde há também vida, esperança, trabalho, construção e projeto”.

Sobre Casas do Brasil
Realizado desde 2006, o projeto Casas do Brasil procura mapear as diversas tipologias de habitações brasileiras com o objetivo de formar um inventário sobre a diversidade do morar no país. Já foram temas do projeto em exposições no Museu da Casa Brasileira “Casa Xinguana” (2008), “Barraca Cigana” (2012) e “Habitação ribeirinha na Amazônia” (2013), entre outros. Cada mostra no MCB corresponde a uma publicação.

Sobre Maureen Bisilliat
Maureen Bisilliat estudou pintura em Paris e Nova York, antes de se fixar definitivamente no Brasil em 1957, na cidade de São Paulo. Trocou a pintura pela fotografia no início dos anos 1960, trabalhando na Editora Abril entre 1964 e 1972, na revista Realidade. É autora de livros de fotografia inspirados em obras de grandes escritores brasileiros: A João Guimarães Rosa, 1966; A Visita, 1977, no poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987); Sertão, Luz e Trevas, 1983, no clássico de Euclides da Cunha (1866 – 1909); O Cão sem Plumas, 1984, no poema de mesmo título de João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999); Chorinho Doce, 1995, com poemas de Adélia Prado (1935); e Bahia Amada Amado, 1996, com seleção de textos de Jorge Amado (1912 – 2001).

A partir da década de 1980, dedica-se ao trabalho em vídeo, com destaque para Xingu/Terra, documentário de longa-metragem rodado com Lúcio Kodato na aldeia mehinaku, Alto Xingu. Em 1988, é convidada pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922 – 1997), com Jacques Bisilliat (seu segundo marido) e Antônio Marcos Silva, a levantar um acervo de arte popular latino-americano para a Fundação Memorial da América Latina. Viaja com Jacques para o México, Guatemala, Equador, Peru e Paraguai para recolher peças para a coleção permanente do Pavilhão da Criatividade, do qual é curadora.

“Minha familiaridade com o universo do Carandiru data dos anos 1980, resultado de uma experiência de documentarista do projeto Teatro no Presídio, desenvolvido na casa de detenção durante 5 anos (1984 a 1990), entre membros da população carcerária e um grupo de jovens profissionais (Inês de Castro, Sophia Bisilliat e Renato Primo Comi), com a supervisão de Eda Tassara, professora titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo”, relata ela.

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Fonte da biografia de Maureen Bisilliat – Enciclopédia Itaú Cultural

Fonte da notícia: Museu da Casa Brasileira