‘Daria para fazer uma Bienal sobre Gilberto Gil’, diz curador de mostra que homenageia o baiano

A obra “Afrogil”, de Ivan Cardoso, pode ser conferida na exposição “GIL70”
 
O poeta e designer gráfico André Vallias deu uma missão a artistas como Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso e Raul Mourão: reler e reinterpretar a obra do cantor e compositor Gilberto Gil, que completou 70 anos em junho. O resultado dessa tarefa é o carro-chefe da mostra gratuita “GIL70”, que traz 23 trabalhos de 27 criadores, todos próximos ao baiano, aberta ao público na última quarta-feira (12) no Itaú Cultural.
 
“É uma exposição feita num ciclo de artistas que a gente conhece”, explica Vallias, curador do evento, para quem a seleção ocorreu “um pouco pelo método das afinidades eletivas”. “Tentamos montar um time representativo, mas muitos outros [artistas] poderiam ter participado. Daria para fazer uma Bienal em cima do Gilberto Gil.”
 Tentamos montar um time representativo, mas muitos outros artistas poderiam ter participado. A exposição foi pensada como uma homenagem não muito convencional, que reunisse artistas dos mais variados suportes, linguagens e áreas 
André Vallias, curador de GIL70
 
Vallias acredita que, nesse processo, a exposição-homenagem teve o que ele chama de “curadoria participativa”. “Todos foram convidados a propor obras, ficou um pouco a critério de cada um. Discutimos os projetos até chegar àquilo que achávamos interessante.”
 
O curador conta que o objetivo não era fazer uma retrospectiva ou uma exposição histórica sobre a obra do baiano, já que sua carreira ainda está em andamento. “[A mostra] foi pensada como uma homenagem e uma tentativa de algo não muito convencional, que reunisse artistas dos mais variados suportes, linguagens e áreas.”
 
Além das releituras, o acervo exibirá imagens históricas dos 70 anos de vida e os 50 de carreira do tropicalista. Mesmo quem não puder entrar no espaço da Avenida Paulista vai conferir algo da mostra: a lateral do prédio do Itaú Cultural exibe um grafite baseado na música “Raça Humana” feita pelo artista Onesto em parceria com grafiteiros do Projeto Pixote.
 
Outros destaques são os corações que se movimentam criados por Adriana Calcanhotto, um vídeo poema de Augusto de Campos e uma teia de aranha que cresce conforme o violão de Gil feita por Jarbas Jácome. Canções de Gil podem ser ouvidas e lidas em tablets e o público poderá ler sobre a criação dessas músicas.
 
“A Turma de Gil”, de José Roberto Aguilar, é um diferencial em relação à exposição no Rio
Há 16 anos trabalhando com o baiano, desde que cuidou da criação de seu site, Vallias diz admirar o artista também como ser humano. “Talvez ele tenha sido um dos [artistas brasileiros] mais abrangentes na capacidade de diálogo e no modo como encara a vida e se prepara para a morte. Ele é o único que pensa sobre esse tema, enquanto para outros artistas é quase um tabu.”
 
Vallias afirma que Gilberto Gil não acompanhou nem interferiu em nenhum momento nas escolhas da exposição. Pensada desde 2011 e organizada desde março deste ano, “GIL70” já passou pelo Rio de Janeiro, onde ficou de 29 de agosto a 28 de outubro.
 
Em relação à edição carioca, a mostra em São Paulo ganha uma adição: a obra “A Turma de Gil”, um acrílico sobre tela de José Roberto Aguilar. Além disso, a vídeo-instalação “Gondwana”, de Andrucha Waddington, Gualter Pupo e Lula Buarque de Hollanda ganhou uma nova configuração, adaptada ao espaço menor do Itaú Cultural, e o grafite “Rep”, feito por Eduardo Denne em Vigário Geral junto com o AfroReggae, ficou na capital fluminense.
 
Segundo Vallias, ainda será definido para onde a mostra segue, mas existe a possibilidade de ir para Brasília. Em São Paulo, “GIL70” pode ser conferida até fevereiro de 2013.
 
Serviço:
GIL70
Quando: até 17 de fevereiro de 2013. De terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Onde: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô (11) 2168-1776/1777
Quanto: Entrada franca
Classificação indicativa: livre
Estacionamento: Com manobrista: R$ 10 uma hora; R$ 5 a segunda hora; mais R$ 4 p/ hora adicional. Estacionamento gratuito para bicicletas
Facilidades: Acesso para deficientes físicos, ar condicionado
Mais informações: www.itaucultural.org.br
 
Fonte: Mariana Pasini/Do UOL, em São Paulo