Compreensão do AR (ou E = M2) é destaque no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba

A exposição Compreensão do AR = (ou E=M2), do artista plástico Egídio Rocci (1960 – 2015) e curadoria de Laerte Ramos estará em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba até o dia 08 de março, apresentando um conjunto de obras do artista plástico caçapavense.

Na mostra, o espectador passará por uma experiência imersiva na poética do artista. Além dos objetos dispostos no espaço, uma projeção de vídeos-slides de fotos de estudos de Rocci e um breve documentário sobre sua produção podem ser vistos em um espaço reservado e convidativo.

Egidio propõe, com sua pesquisa, a transformação – ou a elevação – de objetos que outrora tiveram função e propósito como utilitários – móveis, criados-mudos, bancos, estantes, prateleiras, ou simples pedaços de madeira. Estes objetos aleatórios, ao cruzarem com o caminho de Egidio, eram retirados dos depósitos de móveis antigos e usados, onde muitas vezes estiveram esquecidos por anos, e ressignificados e elevados à condição de obras de arte em museus, galerias e centros de cultura. O filtramento, ou processocriativo do artista em questão, revela ao espectador estruturas escondidas nos objetos de madeira, seja através da eliminação, desmonte parcial ou incorporação de elementos escolhidos de forma precisa pelo artista, compartilhando, assim, seu modo de relacionar-se com o mundo. Egidio assume um papel de intérprete no diálogo entre a madeira e o metal, entre móveis com cara de casa de vó e móveis de escritório, entre o design e a arte, entre o descartado e o encontrado e ainda, entre o esquecido e o lembrado.

O olhar do artista e seu objeto de interesse ficam perceptíveis nos slides projetados em uma das paredes do espaço expositivo. Uma grande parte deles traz fotos tiradas da janela de seu ateliê no Edifício Sta. Branca, situado na Avenida Duque de Caxias, em São Paulo, entre os anos de 2010 e 2012. Outra parte traz fotos tiradas da sua própria residência, no 8º andar de um edifício em São José dos Campos, com sua máquina Fujifilm – Finepix HS10 HS11. No vídeo-slide, é possível perceber que mesmo diante de uma janela fixa e de uma paisagem pacata e simples, Egidio organiza seu olhar e convida aos detalhes de seu encantamento: uma conversa entre urubus, camisetas de times de futebol secando ao sol, pessoas andando na rua carregando sacolas de supermercado. Todas estas cenas que passariam despercebidas ao olho comum cativam o olhar do artista e se transformam em objeto de interesse profundo de Egidio. É possível perceber a riqueza de elementos que um mesmo local oferece no dia-a-dia de cada um. Em dado momento, percebe-se, finalmente, que aqueles que ficam nas janelas com suas almofadas aos cotovelos por horas a fio, têm razão para fazê-lo: os dias são todos diferentes e há muita beleza em apreciar o tempo.

E = M2, ou “Egidio por metro quadrado”, é uma referência às estruturas esculturais manipuladas por ele que ocupam áreas com inúmeras memórias de objetos antigos. Memórias estas que foram renovadas em seu ateliê trazendo enigmas a serem desvendados pelos espectadores de seus trabalhos. Correr os olhos, como que em raio-x, pelas estruturas das obras de Egidio proporciona uma compreensão diferente do ar que envolve as esculturas. Os ambientes que tiveram como principal função a guarda, passam a desvendar o espaço que antes, apenas o ar compreendia. O cheiro de guardado se esvai, gavetas são travadas ou descartadas e o conteúdo de seus trabalhos torna-se parte do imaginário de quem os vê, expondo, cada um, seus próprios guardados.

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Fonte: MACS / Laerte Ramos