Casa das Rosas traz pesquisadores e tradutores da nova geração para o Simpósio Haroldo de Campos

Legado de Haroldo como poeta, tradutor e crítico literário estará presente em diferentes mesas do evento que conta com lançamento de livro; Amálio Pinheiro, Dirce Waltrick do Amarante, Marcelo Tápia, Márcio Seligman-Silva, Odile Cisneros e Susana Kampff-Lages são alguns dos convidados

O Simpósio Haroldo de Campos: a tradução do micro ao macro, realizado pela Casa das Rosas, reúne alguns dos principais estudiosos da obra de Haroldo e tradutores da nova geração para conversas sobre diversos aspectos do legado do poeta e crítico literário Haroldo de Campos como tradutor e pensador da tradução de reconhecimento internacional. Os encontros on-line serão nos dias 21 a 25 de setembro. As inscrições gratuitas estão abertas até 16/09 neste link.

Organizado por Julio Mendonça, poeta, doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e coordenador do Centro de Referência Haroldo de Campos da Casa das Rosas, e por Marcelo Tápia, tradutor, ensaísta, professor, doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada (USP) e diretor da Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo, o evento terá mesas formadas por vários temas, desde a poesia como código universal, o futurismo russo e a poesia de vanguarda brasileira, até a tradução criativa no Brasil.

No encerramento do Simpósio, em 25/09, a partir das 17h, ocorrerá o lançamento do livro HC21 – Leitura de Haroldo de Campos, co-organizado por Raquel Campos, Gustavo Reis Louro e Moisés Nascimento, voltado a um mapeamento de novos pesquisadores e admiradores da poesia, da crítica e da tradução de Haroldo.

A obra conta com textos de Amara Moira, André Capilé, Natália Agra, Patricia Lino, Péricles Cavalcanti, entre outros escritores, além de uma entrevista com o poeta e professor Ivan de Campos, filho de Haroldo.

Confira a programação completa com as abordagens dos convidados participantes na parte “Serviço” do texto.

Haroldo de Campos

O patrono do museu Casa das Rosas, Haroldo de Campos foi poeta, crítico literário renovador e tradutor, tendo conquistado prestígio nacional e internacional.

Com traduções marcantes de Mallarmé, Maiakóvski, Joyce, Goethe, Dante, Octavio Paz, da Ilíada de Homero e de livros da Bíblia, entre outros, Haroldo se firmou como um dos mais importantes tradutores do século XX.

A partir dos conceitos “transcriação” e “plagiotropia”, ele contribuiu no entendimento da tradução na literatura no contexto globalizado, tendo afirmado que “a tradução – vista como prática de leitura reflexiva da tradição – permite recombinar a pluralidade de passados possíveis e presentificá-la como diferença […]”. 

SERVIÇO

Simpósio Haroldo de Campos: a tradução do micro ao macro
21 a 25 de setembro
Inscrição aberta até 16/09 – aqui
Plataforma: Zoom
Presentes receberão certificado de participação.

Mesa

Desbabelizar e transgredir

Terça-feira, 21 de setembro, às 19h

 “A convergência fulgurante do dessemelhante”: a poesia como código universal

Com Marcelo Tápia 

Valendo-se de referências fundamentais adotadas por Haroldo de Campos acerca de poesia e tradução, propõe-se uma leitura do legado haroldiano de modo a explicitar o potencial do intracódigo da poesia como ambiente de convergência linguística, artística e cultural.

Nós de tradução: política e corporeidade na tradução decolonial

Com Márcio Seligmann-Silva | Mediação: Julio Mendonça

Como a diáspora impõe novas tarefas de política de tradução, que leva em conta “geografias nômades” e corpos deslocados? Como a tradução pode ser entendida como gesto de construção de uma casa para agrupamentos desterritorializados? O que significa uma tradução não outrizante e construtora de novos jogos identitários? Em que medida a visada antropofágica pode ser libertadora e em que medida ela também é conservadora? 

Mesa

Pensamento e prática da tradução na obra de Haroldo

Quarta-feira, 22 de setembro, às 19h

Por uma transluciferação mefistofáustica: Roman Jakobson com Haroldo de Campos

Com Max Hidalgo (Universidad de Barcelona)  

Esta contribuição se interessa no problema da tradução em Haroldo de Campos a partir das suas relações com Roman Jakobson, autor que desde 1966 se tornou uma referência fundamental para o poeta brasileiro, como testemunha a correspondência entre os dois intelectuais conservada no arquivo Jakobson do MIT.

A microfísica da tradução

Com Amálio Pinheiro

A tradução como transcriação em Haroldo de Campos opera a partir de uma microfísica, espécie de ciência molecular da linguagem poética, que dissipa, pela confluência da diferença em progresso, o fechamento metafísico da interpretação do significado. Daí a interação necessária entre o fecundar-se pela radicalidade do texto de partida e o diferir decisivo da condição cultural e alterada do texto de chegada.

Mesa

Os poetas concretos e a tradução

Quinta-feira, 23 de setembro, às 19h

Caros camaradas futuros! Haroldo de Campos e os russos

Com Eduardo Jorge de Oliveira

“O poema é um objeto histórico e não um reflexo da história”, escreveu Boris Schneiderman, em 1985, no prefácio da segunda edição de Poesia russa moderna, publicado originalmente em 1967. Foi nessa antologia que Haroldo de Campos traduziu “A encantação pelo riso”, de Khlébnikov, e “A plenos pulmões”, de Maiakovski. Sem dúvida ainda insuperável em termos de apresentação de poetas e da originalidade das traduções, trata-se de um livro-laboratório que se conecta com a atividade crítica de Haroldo de Campos, notadamente, seu diálogo com Roman Jakobson.

O futurismo russo e a poesia de vanguarda brasileira: Incorporação, Tradução, Convergência

Com Odile Cisneros

Num artigo a respeito das vanguardas do pós-guerra, Anna Katharina Schaffner conclui que, na obra dos poetas concretos Augusto e Haroldo de Campos, a tradição vanguardista – “é tanto cancelada como preservada, é negada, assimilada e continuada, e finalmente elevada a um nível diferente”. Esta comunicação analisa a tradução sistemática de poesia futurista realizada pelos poetas concretos a partir dos anos 60 como parte integrante de tal recuperação que produziu as coleções, Poemas de Maiakovski (1967) e Poesia russa moderna (1968) em colaboração com estudioso e tradutor do russo Boris Schnaiderman.

Mesa

Walter Benjamin e Haroldo de Campos: duas concepções de tradução em diálogo

Sexta-feira, 24 de setembro, às 19h                                                                   

Acaso objetivo: Haroldo de Campos, leitor de Walter Benjamin

Com Gabriel Borowski

A presença da reflexão tradutória de Walter Benjamin no pensamento teórico de Haroldo de Campos proporciona uma conjugação inovadora das ideias do filósofo judeu alemão  com a teoria do linguista russo Roman Jakobson e a “proposta antropofágica” do modernismo brasileiro. O objetivo da comunicação será discutir o processo de transição do messianismo tradutológico de Benjamin à missão tradutória de Campos através de uma leitura de textos críticos ilustrativos para a formação do paradigma transcriativo.

Transcriação translíngue

Com Patrícia Lavelle

O objetivo será pensar as transformações da “metafísica da tradução” de Benjamin na “física” da prática tradutória proposta por Haroldo de Campos. Para isso, Lavelle examinará as motivações éticas e utópicas que fazem do desejo de traduzir um ponto de vista a cada vez singular sobre a universalidade da tarefa que, segundo Benjamin, visa « a pura linguagem ».

O lugar do livro e da edição em Haroldo de Campos e Walter Benjamin

Com Susana Kampff Lages    

A palestra propõe refletir em que medida o pensamento de Haroldo de Campos, tanto sobre a criação, quanto sobre a tradução poética, seria tributário não apenas do ensaio benjaminiano sobre “A tarefa do tradutor”, mas também da intuição do autor berlinense sobre as transformações que o objeto livro viria a sofrer em função das inovações técnicas do início do século XX, tais como a fotografia e o cinema , bem como a difusão do jornal impresso.

Mesa

A tradução criativa no Brasil, hoje

Sábado, 25 de setembro, às 15h

Levando óleo na peneira: cavalos da tradução-exu

Com Guilherme Gontijo Flores

No último meio século, vimos imperar no Brasil a veia da tradução poética; de modo que podemos afirmar que aqui vivemos uma tradição forte, porém rara no Ocidente, que deve muito ao empenho teórico e prático de alguns nomes, mas, sobretudo de Haroldo de Campos. Apresentação de casos curiosos dos últimos tempos, vindos de poetas-tradutores e que Gontijo reúne sob o nome de “tradução-exu” por guardarem singularidades que, se partem muito da ideia de transcriação haroldiana.

“A letra! O lixo!”: os desafios de traduzir James Joyce

Com Dirce Waltrick do Amarante 

Um texto importante de Haroldo de Campos, intitulado “A poética do precário”, dialoga, segundo Dirce, com a teoria do precário desenvolvida pela artista chilena, radicada nos Estados Unidos da América, Cecilia Vicuña. Tomando por base a definição de precário desses dois artistas, irá abordar alguns aspectos da tradução de Finnegans Wake, de James Joyce, uma obra feita de “detritos”.

Lançamento do livro

HC21 – Leituras de Haroldo de Campos

Sábado, 25 de setembro, às 17h   

Livro co-organizado por Gustavo Reis, Moisés Nascimento e Raquel Campos

Textos de Amara Moira, André Capilé, Fabiano Calixto, Guilherme Gontijo, Gustavo Reis, Mariangela Andrade, Marina Rima, Moisés Nascimento, Natália Agra, Nícollas Rizzi, Patricia Lino, Péricles Cavalcanti, Piero Eyben, Raquel Campos e Thiago de Melo.

Um mapeamento da nova geração de pesquisadores e amantes da poesia, da crítica e da tradução de Haroldo. Uma nova geração que, muitas vezes, não conheceu o Haroldo indivíduo, mas que cresceu com ele como presença textual. Uma geração que não tem os preconceitos críticos de antes e faz com Haroldo o que quer: poesia, ensaio, tradução. 

O livro inclui uma entrevista com o poeta e professor Ivan de Campos, filho de Haroldo.

Fonte: Casa das Rosas