Britânico Charles Esche será curador da 31ª Bienal de SP

A 31ª Bienal de São Paulo, programada para o próximo ano, já tem curador: o britânico Charles Esche, diretor do museu Van Abbe, em Eindhoven, na Holanda. Seu nome será anunciado pelo novo presidente da instituição, Luis Terepins, na próxima semana, com a presença de Esche, em São Paulo. 

Trata-se de uma escolha radical, especialmente depois de uma exposição com caráter museológico, como a que foi conduzida por Luis Pérez-Oramas na edição da Bienal do ano passado.

Esche foi um dos cinco curadores que apresentaram propostas à Bienal e é conhecido por dedicar-se a questões políticas na arte.

                                                                                                                                                 Bram Saeys – 28.mai.2008/Divulgação
N1 - Charles Esche  Charles Esche, diretor do museu Van Abbe, na Holanda, será curador da 31ª Bienal de SP

Seu projeto aborda o papel da arte na globalização. 

Depois de duas bienais com grande presença de artistas brasileiros e latino-americanos, a direção da instituição parece ter buscado diversificar o caráter geopolítico da mostra.

O curador selecionado, aliás, não é especialista em arte brasileira, como é o caso de Pérez-Oramas. Ele sequer visitou edições anteriores da Bienal de São Paulo, Esche, contudo, além de curador renomado, é envolvido com a produção asiática e do Oriente Médio, como atestam suas participações em bienais daquelas regiões: Gwangju (Coreia do Sul), Istambul (Turquia) e Riwaq (Palestina).

O curador inglês é também conhecido por projetos ousados. Ele foi um dos responsáveis, por exemplo, pela exposição “Picasso na Palestina”, em 2011, um dos eventos mais comentados no circuito das artes. A mostra consistia na exibição da tela “Buste de Femme” (1943), de Pablo Picasso, que pertence ao Van Abbe, na Academia Internacional de Artes da Palestina, em Ramallah, na Cisjordânia, uma das regiões em que o conflito entre Israel e Palestina é mais agudo.

Foi a primeira vez em que um artista como Picasso foi exibido em tal área, e toda a logística que envolveu a operação foi altamente complexa. “Uma das questões pertinentes a esse projeto é refletir como um museu de arte europeu exerce um papel significativo em entender nossa condição global com todas as suas contradições internas”, disse Esche sobre “Picasso na Palestina”.

O Van Abbe, sob a direção de Esche, também é reconhecido por sua originalidade nos formatos expositivos.

Atualmente, uma das mostras da instituição –vídeos do norte-americano John Baldessari– acontece nas escadarias de sua sede.
Em 2010, o museu recebeu uma mostra sobre os modos de expor obras de arte e um dos eixos da exposição foi o projeto de Lina Bo Bardi para o Masp.

Projetos do curador apontam que, em 2014, o prédio da Bienal pode vir a ter uma ocupação menos comportada que na edição anterior.

Fonte: Folha de S.Paulo