Anatomia, corpo e saúde são temas de exposição na Fiocruz

Parte de um importante patrimônio da ciência e da saúde dos brasileiros, quase dizimado durante o período da ditadura militar, está de volta ao seu lugar de origem e ao alcance de todos. Desenhos anatômicos, fotos, documentos e instrumentos médicos raros usados em exames e tratamentos, além de vacinas antigas, reunidos desde o início do século XX são parte da exposição ‘Corpo, Saúde e Ciência: o Museu da Patologia do Instituto Oswaldo Cruz’, que abriu suas portas para o público no dia 6 de junho. A visitação é gratuita.

A mostra apresenta peças anatômicas, além de objetos e documentos que totalizam cerca de 100 itens que integram o acervo histórico original de algumas das Coleções Biológicas de maior valor histórico mantidas pelo IOC e pela Fiocruz: a Coleção da Seção de Anatomia Patológica, criada em 1903 pelo próprio sanitarista Oswaldo Cruz, a partir das amostras trazidas da Alemanha pelo pesquisador Rocha Lima; a Coleção de Febre Amarela (1930-1970), que registra a história das epidemias do agravo no país; e a Coleção do Departamento de Patologia do IOC, iniciada em 1984.

A exposição integra as atividades do Museu da Vida da COC/Fiocruz. A visitação pode ser realizada de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30 (com agendamento prévio, pelo telefone 21 2590 6747, e aos sábados, das 10h às 16h (visitação livre), na Sala 307 do Castelo da Fiocruz, no bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro (Av. Brasil, 4.365).
Corpo, ciência e arte

A relação entre o corpo, a ciência e a arte ganhou destaque na mostra. De acordo com um dos curadores da exposição, o chefe do Laboratório de Patologia do IOC, Marcelo Pelajo, muitos anatomistas dos séculos XV e XVI também eram artistas. A representação da anatomia neste período segue uma forte tendência para esta abordagem, não apenas como uma tentativa de reprodução da verdade anatômica, mas também como inspiração de arte. “Existe uma questão dialógica entre o estudo inicial da Anatomia e o que as pessoas expressavam como arte. A exposição contempla essa relação a partir de algumas expressões artísticas, incluindo uma reprodução da obra ‘Aula de anatomia do Dr. Tulp’, de Rembrandt, cujo original está no Museu Mauritshuis, em Haia, Holanda, a fim de demonstrar como foi construído esse intercâmbio entre Anatomia e arte, evidenciando a importância deste tipo de conhecimento para a formação de artistas”, destacou.

As atividades lúdicas da exposição foram pensadas para permitir a interação do público participante com os monitores da exposição. “As interações práticas entre o público e a exposição contam com atividades de microscopia virtual, telepatologia, observação de células ao microscópio, além de jogos lúdicos e uma miniatura de Sistema Circulatório, que descreve com cores diferentes a pequena e a grande circulação”, descreve Pelajo.

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Fonte: Jornal do Brasil