Alfonso Ballestero registra o cotidiano de moradores de rua em exposição no Museu Casa da Xilogravura

Mostra ficará em cartaz até 23 de março, em Campos de Jordão

 Uma senhora sentada na calçada entre os poucos pertences – um cobertor, sacos de papel, mochila, garrafas de refrigerante e um carrinho desses de feira – lê atentamente um livro de muitas páginas.  Está ali mergulhada em outra história, no mundo e fora do mundo.  Outro cidadão sentado em uma escada qualquer, de pernas cruzadas, olha com altivez, a fumaça de seu cigarro…  Estas e outras imagens de cidadãos que São Paulo ignora estão na exposição Alfonso Ballestero e suas “flores silvestres”, na Casa da Xilogravura, em Campos do Jordão.

“Esses registros foram colhidos dentro do perímetro do centro expandido de São Paulo”, conta Ballestero. “Começaram a fluir num lampejo do olhar. Estava voltando para o meu ateliê quando, daquele olhar sem ver, algo me tocou. Peguei a minha máquina fotográfica e encontrei o tema do meu doutorado: Flor Silvestre”, afirma.

O artista paulistano passou a flagrar as atividades, como ele próprio explica, do ser humano em seu cotidiano. “Pessoas que estão em todos os lugares e em lugar algum.” Ballestero compara os moradores de rua às flores silvestres que crescem invisíveis pela cidade. “Caminhamos sem notá-las e muitas vezes acabamos pisando sobre elas”, diz.

Na mostra, Ballestero fez uma seleção de 29 imagens apresentadas em seu doutorado, em 2007, em Poéticas Visuais no Departamento de Artes Plásticas na Universidade de São Paulo. Sob a orientação de Evandro Carlos Jardim, as fotografias foram recriadas em desenhos para pranchas de MDF. Depois de entalhadas, entintadas, foram impressas e, como xilogravuras, surpreendem pela força expressiva entre luzes e sombras, pela textura das linhas e equilíbrio na composição.

“Minha intenção é apresentar imagens de impacto que despertem o olhar das pessoas”, observa o artista. A exposição Alfonso Ballestero e suas “flores silvestres” é um convite para refletir sobre a importância da arte na compreensão da realidade, instigando o olhar para a paisagem humana.

SERVIÇO

Mostra Alfonso Ballestero e suas “flores silvestres”

Até 23 de março

Das 9h às 12h e das 14h às 17h, de quinta a segunda-feira

Casa da Xilogravura

Avenida Eduardo Moreira da Cruz, nº 295 – Vila Jaguaribe.  Campos do Jordão – SP

Informações: (12) 3662-1832

Site: www.casadaxilogravura.com.br

Entrada: R$ 10,00 (idosos, professores e estudantes com carteirinha pagam meia-entrada). Grátis para menores de 12 anos.

Fonte: Jornal da USP, por Leila Kiyomura