Abertas as inscrições para o VIII Seminário de Museologia Experimental

O Grupo de Pesquisa Museologia Experimental e Imagem (MEI), a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e o Comitê Internacional de Museologia (ICOFOM) convidam os profissionais de museus, membros de comunidades e pesquisadores a inscreverem seus trabalhos sobre o tema “A Experiência Museal: Museus, Ação comunitária e Descolonização”.

As submissões de propostas acontecerão até o dia 19 de julho. Os trabalhos selecionados serão apresentados em um simpósio internacional no Rio de Janeiro, entre 3 e 4 de dezembro de 2020 e, posteriormente, avaliados para publicação editada pelo ICOFOM.
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O Projeto Especial Museus, Ação comunitária e Descolonização (2020-2022), proposto pelo ICOFOM para este triênio, tem o objetivo de promover debates internacionais e desenvolver bases teóricas para a prática em museus relacionadas às demandas e ações de comunidades que buscam exercer maior agência sobre o fórum do museu. Por “ação comunitária” entende-se a mobilização de grupos minoritários em função de um propósito comum ou de uma causa social que pode levar à descolonização do dispositivo museu.

O que significa descolonizar o museu no século XXI? Como os debates atuais sobre a descolonização dos museus estão promovendo o reconhecimento efetivo de práticas e ações locais? Estariam os membros de comunidades e ativistas realmente sendo ouvidos pelos profissionais de museus que expressam abordagens mais críticas a essa instituição moderna? Que tipo de experiências e ações museais estão contribuindo para redesenhar um mundo pós-colonial?

Interpretar os impactos da colonização nos dias atuais constitui um desafio primordial para as instituições que dão nova vida às representações do passado. Novos problemas como as mudanças climáticas e o aumento da desigualdade econômica e social em todos os países e regiões, ou a persistência do racismo, do sexismo, da homofobia, e a reprodução de exclusões históricas dentro do museu e na performance de sua autoridade nas sociedades ainda apontam para a necessidade da revisão de práticas e prioridades nas ações dos museus.

Com base nessas questões e reconhecendo alguns dos problemas contemporâneos que atravessam o mundo museal, o simpósio e publicação se propõem a abarcar pesquisas e casos de estudo atualizados que tratem da relevância social dos museus, buscando avaliar a real influência das comunidades na transmissão e transformação do patrimônio. As propostas de trabalhos devem considerar perspectivas pós-coloniais sobre o museu a partir da visão das comunidades ou dos especialistas que atuam junto a elas, relacionando-se com um dos seguintes subtemas:

1. Experiências museais pós-coloniais: Considerando que uma parte dos debates recentes sobre a descolonização dos museus voltam-se para as implicações práticas e políticas da devolução de bens culturais, muitos museus não estão colocando em questão a sua própria autoridade ao lidarem com as heranças coloniais em suas coleções; tampouco estão as comunidades e os movimentos sociais verdadeiramente autorizados a construírem novas narrativas para o presente por meio dos processos museológicos. Como os museus estariam descolonizando o seu futuro, ao se proporem a revisar as suas narrativas sobre o passado? É possível para os museus do presente escapar ao seu legado colonial sem redefinir a sua relação com a sociedade? 

2. Ação comunitária e museologias experimentais: Apesar de os museus, ao longo dos anos, envolverem as comunidades (e membros da sociedade civil) em suas funções e processos primários, quais são os resultados da ação comunitária e da participação de grupos sociais nos museus do século XXI? Como as experiências comunitárias contribuíram para transformar as funções basilares dos museus e o seu papel social? 

3. Experiências queer para um ativismo museal: Muitas expressões de ativismo nos museus deste século levaram ao aparecimento de abordagens queer no seio dessas instituições normativas. Os novos museus LGBTI+ e as abordagens críticas sobre gênero e sexualidade em exposições permitiu que uma base de reflexões críticas emergisse. Como os movimentos sociais e as abordagens queer sobre os museus podem potencializar novas experiências com o patrimônio vivo no presente? 

4. Museus, patrimônios locais e direitos humanos: Para além da preservação do patrimônio indígena ou afrodescendente (na diáspora) na forma de coleções etnográficas, por muitos anos os museus já estabeleceram novas e potentes relações com essas populações, envolvendo esses agentes e produtores de conhecimento em seus procedimentos e compartilhando uma autoridade que era, no passado, apenas conferida aos cientistas. Por exemplo, a participação ativa de indígenas nas ações e práticas dos museus apresenta grande impacto no reconhecimento desses grupos e de seus direitos pelas instituições culturais. As propostas devem considerar os usos dos conhecimentos localizados pelos museus na descolonização de suas práticas, mas também o papel dos patrimônios locais nas lutas por reconhecimento social e direitos humanos. 

Confira a chamada para trabalhos (Apresentação e publicação).

Fonte: Grupo de Pesquisa MEI