A história em ruínas

O vale

 Onde está o edifício que ficava ali?

Alguns dos patrimônios históricos do Vale do Paraíba, tombados pelo Condephaat, não existem mais; exposição de fotos em São José denuncia o abandono de bens da região

Construída no início do século 19, em taipa de pilão e pau-a-pique, o sobradodo Capitão Silveiras pode ser considerado um marco zero da cidade que leva o seu sobrenome. 

Com um corpo central composto por dois andares e laterais de um pavimento, a casa foi tombada como patrimônio histórico em 1982. 

O registro do local permanece nos arquivos históricos, mas a edificação passou por um acelerado processo de degradação e ruiu em 2011. O pouco que resta está em fase de análise para a definição das próximas ações.

Assim como o antigo sobrado, muitos outros patrimônios tombados em cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba estão indo pelo mesmo caminho. Essa é uma das conclusões que se chegacoma exposição “Patrimônio Paulista – Vale do Paraíba e Litoral”, em cartaz no parque Vicentina Aranha, em São José.

A mostra, organizada pelo Museu da Casa Brasileira, em parceriacomo Sisem (Sistema Estadual de Museus), traz imagens e um pouco da história de cada edificação tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) na região.

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NÚMEROS
A Região Metropolitana do Vale do Paraíba conta com 58 bens tombados pelo Condephaat, em 24cidades

Questão. A sede da Fazenda Conceição, em Paraibuna, construída em pau-a-pique, também tombada em 1982, se encontra atualmente em ruínas. E a igreja de São José da Vila Real, de Pindamonhangaba, tombada em 1983, teve de ser reconstruída, uma vez que partede sua fachada desabou.

“O tombamentopelo Condephaat não significa que o órgão vai manter o bem. A manutenção não cabe a ele, que apenas toma conta para que a reforma e o restauro sejam feitos de acordo com determinados parâmetros”, afirmou a cientista social Margarida Cintra Gordinho, responsável pelos textos que acompanham as imagens do fotógrafo Iatã Cannabrava
na exposição.

LIVRO
‘Patrimônio Paulista – Vale do Paraíba e Litoral’ é fruto de um livro homônimo, da editora Terceiro Nome

Ainda segundo ela, a mostra — que contou com a organizaçãodoórgãodedefesadopatrimônio histórico — tem por interesse valorizar tais edificações. “Queremos que as pessoas vejam como algo precioso. Quanto mais reconhecidoumimóvel, mais valor histórico ele passa a possuir. Cabe ao seu proprietário mantê-lo em boas condições”, afirmou a cientista social.

São José. Na cidade, há dois imóveis preservados pelo Condephaat: a igreja São Benedito, tombada em 1980, que sofreu diversas reformas ao longo do tempo, e o Sanatório Vicentina Aranha,tombado em 2001.

Este último, que foi fundado em1924 e chegoua ser considerado referência no tratamento de tuberculose na América Latina, hoje apresenta parede cominfiltrações e rachaduras.

Durante a semana, O VALE mostrará outras questões relativas à conservação do patrimônio histórico na série “Memórias de um Vale”.

Fonte: O Vale