1º Ciclo Formativa do Programa Educativa do Museu Nacional

O 1º Ciclo Formativa do Programa Educativa do Museu Nacional da República conta com webinários e rodas de leituras, que serão realizados nos dias 05, 12, 19 e 26 de maio e 23 de junho, às 19h, no canal do Programa Educativa do Museu Nacional no Youtube.

As atividades virtuais gratuitas são voltadas para o diálogo com educadores, artistas, pesquisadores e interessados em pensar as plantas nas vidas e nas artes, partindo de reflexões sobre o papel da arte, do museu e dos educativos neste momento, para abordar questões de patrimônio, mediação, públicos, cultura digital, meio ambiente e saúde. Clique aqui e acesse o formulário de inscrição.

O 1º ciclo terá cinco webinários com convidados que possuem pesquisa e atuação nos temas abordados: Ailton Krenak (dia 5/05), Giselle Beiguelman (dia 12/05), Mercedes Bustamante (dia 19/05), Jorgge Menna Barreto (dia 26/05), Alejandro Cevallos (dia 23/06).

Haverá tradução em Libras. Serão fornecidos certificados de participação ao final dos cinco encontros.

Programação 

05/05/21, às 19h, Pandemia, humanidade e natureza. O que podemos aprender com a natureza?, com Ailton Krenak. 

Diante do desafio de refletir sobre os temas da pandemia, humanidade e natureza, o pensador Ailton Krenak nos convoca a experimentar uma mudança nas nossas formas de contato com a Terra. Para isso, propõe uma experiência de fricção com a vida, como maneira de não vivermos no piloto automático, abertos ao que podemos aprender com a natureza, aos caminhos para a construção de uma forma de estar no mundo mais alinhada à cultura do Bem Viver. 

Ailton Krenak é ativista indígena da etnia Krenak, em 1988, fundou a União das Nações Indígenas e em 1989, o movimento Aliança dos Povos da Floresta. Dirige o Núcleo de Cultura Indígena na Serra do Cipó, Minas Gerais. Em 2016, recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde leciona, na especialização, as disciplinas “Cultura e História dos Povos Indígenas” e “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”.

Roteirista e apresentador as séries de TV- Índios no Brasil- 1998/99-MEC- Vídeo nas Aldeias; série Tatu Andé – O Encontro do Céu com a Terra – Canal Futura- 2007. É apresentador da série Fronteiras Fluidas – Noctua – Ancine 2018. É jornalista e escritor, com livros e artigos publicados em diversas línguas, além do português.

12/05/21, às 19h, Cultura digital e pandemia. O que museus e seus educativos podem fazer no digital? com Giselle Beiguelman.  

No momento em que a pandemia acelerou a dinâmica de plaformização dos museus, da arte e da vida, uma questão que já se anunciava tornou-se ainda mais urgente: o que museus e seus educativos podem fazer no digital? Diante desse cenário, a professora Giselle Beiguelman compartilha suas reflexões, recorrendo também a temas como as especificidades e os desafios da preservação de obras artísticas produzidas com meios digitais e a peculiar temporalidade vivida nas redes sociais e como ela cria a memória no campo da cultura contemporânea.

Giselle Beiguelman pesquisa preservação de arte digital, arte e ativismo na cidade em rede e as estéticas da memória no século 21. Desenvolve projetos de intervenções artísticas no espaço público e com mídias digitais. É professora Livre-docente da FAU USP e foi coordenadora do seu curso de Design de 2013 a 2015. Entre seus projetos recentes destacam-se Memória da Amnésia (2015), Odiolândia (2017) e a curadoria de Arquinterface: a cidade expandida pelas redes (2015).

É membro do Laboratório para Outros Urbanismos (FAUUSP) e do Interdisciplinary Laboratory Image Knowledge – Humboldt-Universität zu Berlin. Autora de diversos livros e artigos sobre arte e cultura digital, suas obras integram acervos de museus no Brasil e no exterior, como ZKM (Alemanha), Yad Vashem (Israel), Latin American Colection – Essex University (Inglaterra), MAC-USP e Pinacoteca de São Paulo. Foi editora-chefe da Revista seLecT (2011-2014) e é colunista da Rádio USP e da Revista Zum.

19/05/21, às 19h, Pandemia e meio ambiente. Que relações há entre a destruição da natureza e a pandemia?, com Mercedes Bustamante.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, se estendendo por nove estados. A professora Mercedes Bustamante nos convida a refletir sobre as formas que escolhemos nos relacionar com esse imenso reservatório natural de água e biodiversidade e sobre a sua depredação. Quantos males o desmatamento e a degradação podem trazer e que relações há entre a destruição da natureza e a pandemia que nos desafia hoje?

Mercedes Bustamante é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Ciências Agrárias (Fisiologia Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa e doutora em Geobotânica pela Universitat Trier.

É professora da Universidade de Brasília, membro do corpo editorial do periódico Oecologia (Springer Verlag), membro dos Comitês Científicos Internacionais dos programas LBA e IBGP e da coordenação da rede de pesquisa ComCerrado (MCT). Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia de Ecossistemas, atuando principalmente nos seguintes temas: cerrado, mudanças no uso da terra, biogeoquímica, mudanças ambientais globais.

26/05/21, às 19h, Arte, mediação e natureza. Como as plantas são um tema para a arte e a educação?, com Jorgge Menna Barreto.

Compreendendo que é da vida que se extrai a matéria da arte e da educação, o artista e educador Jorgge Menna Barreto discute de que maneiras a natureza se apresenta como tema e mediadora para o fazer artístico e a troca educativa. Como essas práticas podem refletir os diferentes modos de pensar que as plantas nos ensinam e propõem, como as reconhecemos, como companheiras e não meros instrumentos do pensar e fazer.

Jorgge Menna Barreto é artista e pesquisador. Professor no Instituto de Artes da UERJ, Rio de Janeiro, doutor em Poéticas Visuais em Artes pela USP, São Paulo, SP. Recentemente concluiu um Pós-doutorado na UDESC, Florianópolis, SC, onde se dedicou a investigar relações possíveis entre agroecologia e as práticas site-specific em arte.

“Restauro” consistiu na criação de um sistema articulado a partir de um restaurante-obra na 32ª Bienal-SP que funcionava como uma extensão de agroflorestas para dentro do pavilhão e seus visitantes. Possibilitou assim a participação do público em um processo complexo de regeneração da paisagem que ocorre nesse tipo de cultivo.

“Restauro” propõe uma pedagogia da floresta que pode ser lida a partir da arte, mas não se restringe a ela. 

23/06/21, às 19h, Museu, educação e comunidade. Por que mediação comunitária? Quais são os desafios da colaboração?, com Alejandro Cevallos (gravação com legenda em português no canal do Youtube).

Pensando que o significado atribuído a ideias como criatividade ou educação está condicionado ao contexto cultural e comunitário de quem define, que desafios são decorrentes do diálogo e da colaboração entre diferentes sistemas de saberes e compreensão do mundo? Diante dessa interrogação e da proposta de pensar o papel articulado entre museu, educação e comunidade, o educador debate e compartilha suas experiências no campo da mediação comunitária com populações andinas amazônicas.

Alejandro Cevallos é graduado em artes pela  Universidad Central del Ecuador, antropologia visual e documentário etnográfico pela Facultad Latinoamericana de Sciencias Sociales. De 2011 a 2015, coordenou o Departamento de Pesquisa Comunitária e Mediação Comunitária da Fundação Museos de la Ciudad. Em 2016,  participou do projeto “Dias de Estudio” com co-curadoria de Sofia Olascoaga, no âmbito do projeto “Incerteza Viva”, da 32º Bienal de SP.

Em 2017, participou do projeto “Sociología de la Imagem” de Silvia Rivera Cusicanqui, em La Paz. De 2016 a 2019, trabalhou na organização de oficina de bordado e educação popular junto à María Elena Tasiguano e à Associação de Trabalhadores Runacunapac Yuyay independente do Mercado San Roque.

Colabora com a University of the Arts dando seminários sobre métodos de pesquisa. É membro da rede Another Roadmap – Escola de Pesquisa sobre educação popular e comunitária e sua possível relação com o campo da educação artística e da mediação cultural. Atualmente, coordena o Museu da Cidade de Quito.

 Fonte: Museu Nacional da República